Os fluxos de investimento direto estrangeiro (IDE) em Portugal registaram uma quebra de 40% no primeiro trimestre deste ano em relação aos fluxos entrados no último trimestre do ano passado. Em termos homólogos, o fluxo trimestral caiu 65%. Segundo dados preliminares da OCDE agora divulgados (“FDI in Figures”, 29 de julho de 2013), o IDE em Portugal registou 600 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2013 contra mil milhões no último trimestre de 2012 e 1,7 mil milhões em período homólogo do ano passado (ou seja, no primeiro trimestre de 2012).

A OCDE divulga os resultados destes fluxos internacionais quatro vezes por ano. A próxima publicação ocorrerá em outubro. Os dados da OCDE são fornecidos em dólares. As séries podem ser consultadas no site da OCDE. Os valores trimestrais dizem respeito aos fluxos verificados nesse trimestre. Os valores dos fluxos anuais dizem respeito ao acumulado do ano. O stock de investimento a 31 de dezembro diz respeito a investimentos realizados ao longo de anos.

Os outros dois países resgatados pela troika registaram no primeiro trimestre de 2013 fluxos de IDE superiores aos verificados para Portugal: 800 milhões de dólares no caso da Grécia e 22 mil milhões de dólares no caso da Irlanda. O ex-tigre Celta foi, no primeito trimestre deste ano, o quinto destino dos fluxos mundiais de investimento direto, depois da China (que atraiu 53,3 mil milhões de dólares, 15% do IDE mundial no trimestre), Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. A Agência para o Desenvolvimento Industrial da Irlanda (IDA) registou 70 novos projetos de IDE no primeiro semestre de 2013, segundo divulgou agora. Metade desses projetos é proveniente de novos investidores. A IDA afirma que a oferta de um IRC de 12,5% continua a ser um dos elementos de atração do IDE para o país.

O IDE anual em Portugal teve um disparo em 2011 depois de um nível muito baixo registado em 2010, mas desceu em 2012. Em 2008, os fluxos anuais de IDE tinham somado 4,7 mil milhões de dólares, tendo descido para 2,7 mil milhões em 2009 e 2,6 mil milhões em 2010, subido para 11,2 mil milhões em 2011 e voltado a descer para 8,9 mil milhões em 2012. No ano passado, o maior fluxo trimestral de IDE registado ocorreu no segundo trimestre, com a entrada de 6,1 mil milhões de dólares.

O stock de IDE em Portugal no final de 2012 era de 117,1 mil milhões de dólares, o que equivalia a 55,1% do PIB. Comparando com os outros países resgatados na zona euro, o stock de IDE em Portugal é largamente superior ao registado para a Grécia (37,8 mil milhões de dólares, 14,8% do PIB), mas representa, apenas, 35% do stock de IDE no caso da Irlanda (338,3 mil milhões de dólares, 165,2% do PIB).

Investimento direto no estrangeiro duplica

O investimento direto português no estrangeiro (IDPE) registou 800 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2013, um fluxo superior ao verificado no mesmo trimestre para o IDE em Portugal. Duplicou em relação ao último trimestre de 2012, mas caiu 64% em relação ao período homólogo do ano passado. Os valores registados foram de 400 milhões de dólares no último trimestre de 2012 e de 2,2 mil milhões de dólares no primeiro trimestre desse ano.

Comparando com os outros países resgatados pela troika, os fluxos de IDPE no primeiro trimestre de 2013 representam apenas 6% do investimento direto irlandês no estrangeiro (que registou 13 mil milhões de dólares). No caso da Grécia, houve um desinvestimento no estrangeiro durante o primeiro trimestre de 2013 que implicou um registo negativo de 900 milhões de dólares.

O stock de investimento direto português no estrangeiro era de 71,3 mil milhões de dólares no final de 2012 (ou seja, 33,5% do PIB), comparando com 380 mil milhões para o caso da Irlanda (185,6% do PIB) e 43,7 mil milhões para o caso da Grécia (17,1% do PIB). A Irlanda e a Grécia registam stocks de investimento direto no estrangeiro superiores ao investimento direto do estrangeiro no país, ao contrário do verificado para Portugal.

Fonte: Expresso

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