O PIB cresceu 3,9% de Junho a Setembro em termos homólogos e já tinha registado uma subida de 1,9% no segundo trimestre deste ano

Qual União Europeia, qual zona euro, qual países sob resgate das troikas da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. Os números falam por si: o produto interno bruto da Islândia cresceu 6,1% no terceiro trimestre, um valor semelhante ao registado no segundo. Já a variação homóloga foi 3,9%, maior do que a registada no segundo trimestre: 1,9% do PIB. Cinco anos depois da crise mundial que arrastou o país para a falência, a Islândia soma e segue. E se o governo da crise foi derrubado e o então primeiro-ministro foi julgado pelo parlamento, dando lugar a um executivo de esquerda que tomou medidas inéditas para sair da bancarrota, as eleições deste ano voltaram a pôr os conservadores no poder. Com lições sobre um passado em que a banca teve um papel determinante no derrube do país e nas desgraças que atingiram os mais de 200 mil habitantes do país. É evidente que a Islândia precisou de apoio externo e obteve um empréstimo do FMI, mas as receitas para a saída da crise diferem em muito dos memorandos impostos a Portugal, Grécia e Irlanda, países sob resgate, e ao conjunto da zona euro.

Em 2008, quando a falência de grandes instituições financeiras dos EUA arrastou bancos e países para crises da dívida pública sem precedentes, a Islândia fazia parte desta lista. Agora, cinco anos volvidos, o país apresenta ao mundo um crescimento económico notável que começou já em 2011.

A Islândia acabou 2011 com um crescimento do PIB de 2,5%, valor que voltou a repetir em 2012. São números que representam quase o triplo do crescimento económico de todos os Estados- -membros da União Europeia – que em 2011 cresceram 1,6% e caíram para 1,1% em 2012. A taxa de desemprego no país desceu para os 6%, face aos 12% da zona euro.

Contra factos não há argumentos e nem as agências de rating conseguem ignorar os efeitos positivos das decisões políticas. “A economia da Islândia está a recuperar das falhas sistemáticas dos seus três maiores bancos e voltou a um crescimento positivo depois de dois anos de contracção severa”, disse a Standard & Poor’s há dois anos, depois de ter subido o rating do país para BBB/A-3 (a Fitch manteve então a Islândia com rating “lixo”).

Das consecutivas decisões que o país foi tomando – e continua a tomar -, desde 2008 que não há vítimas a registar, a não ser os banqueiros e políticos que levaram à crise da dívida pública. No rescaldo do colapso financeiro, a população compreendeu rapidamente que também tinha a sua quota-parte de culpa na iminente bancarrota e preparou-se para apertar o cinto. Mas não da forma como os Estados-membros da UE o têm feito: consecutiva e sem resultados à vista.

A nacionalização dos três grandes bancos islandeses no rescaldo do seu colapso, por pressão popular, em 2008, e a queda do governo conservador abriram caminho à recuperação. O país continua a pagar o resgate de 2,1 mil milhões do FMI, mas esse valor não impede o crescimento económico, potenciado ainda por medidas como a criação de uma comissão constituinte de cidadãos sem filiação partidária, que agora é consultada em quase todas as decisões políticas, e pela contínua busca e julgamento dos responsáveis pelo estalar da crise. Resultado: para além dos números já avançados, o crescimento de 2,7% do PIB islandês em 2013 já supera todas as expectativas.

Fonte: Jornal i

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