A taxa de juro implícita da dívida nacional a 10 anos já anulou as subidas registadas durante a crise política.

A ‘yield’ das obrigações do Tesouro português a 10 anos alivia hoje 40 pontos base para 6,401% em mercado secundário, um valor inferior aos 6,448% registados no dia anterior à demissão de Vítor Gaspar, evento que desencadeou uma crise política de três semanas que levou o juro neste prazo aos 8,1%.

O risco associado à dívida pública portuguesa recua hoje em todas as maturidades na primeira reacção dos investidores à decisão de Cavaco Silva em manter o Governo em funções até ao final da legislatura, em 2015. O efeito positivo da não convocação de eleições antecipadas sobrepõe-se assim à desilusão causada pela ausência de um acordo político mais alargado.

“A confirmação do actual Governo pelo presidente Cavaco Silva gerou a noção de que a crise política foi resolvida por agora. Isso é obviamente positivo para as obrigações portuguesas, embora persista a dúvida sobre a data de validade desta estabilidade política”, dizia Marius Daheim, do Bayerische Landesbank, à Bloomberg.

Já os analistas do Rabobank reagiram com muita cautela, argumentando, numa nota citada na Reuters, que “esta manutenção do ‘status quo’ nada faz para abordar as divergências de opinião dentro da coligação “e sublinhando que “seria errado encarar o alívio desta manhã como um sinal de que estamos fora de perigo em termos do risco político português”.

O diferencial entre os juros da dívida portuguesa a 10 anos e as obrigações alemãs da mesma maturidade diminuiu 21 pontos para 507 pontos base e, segundo antecipa a Goldman Sachs numa nota a clientes, deverá continuar a baixar até aos 400 pontos.

O nível de risco associado à dívida de outros periféricos europeus, como a Irlanda e Espanha, também alivia esta manhã no mercado secundário.

Fonte: Económico

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