Ricardo Soares, Bruno Azevedo, Rodrigo Pires e Miguel Sousa têm 24 e 25 anos. Conheceram-se na faculdade de Engenharia do Porto e há mês e meio ganharam o acesso a um investimento até 100 mil euros para desenvolverem uma bateria que usa energia solar e cinética para fazer frio em camiões frigoríficos e poupar gasóleo. O objetivo é recuperar a energia cinética das travagens e a solar por via de painéis fotovoltaicos instalados nos camiões.

O projeto chama-se WeTruck e é a terceira startup criada com o apoio da filial portuguesa da KIC InnoEnergy, empresa holandesa que é um acelerador de negócios na área da energia, ou seja, ouve ideias e transforma-as em realidade.

Além dos 100 mil euros, que vão sendo entregues faseadamente e à medida das necessidades do negócio, os vencedores são acompanhados por um mentor durante dois anos e têm encontros com investidores para angariar o restante capital necessário. Têm ainda acesso aos acionistas da KIC – como as francesas EDF, Areva e Total, a suíça ABB ou a espanhola Fenosa – e aos seus 150 parceiros, incluindo a EDP. Em troca, a KIC fica com cerca de 10% da startup e recebe dividendos – ganhos usados na criação de outras startups.

“A KIC foi criada como mecanismo europeu para acelerar o desenvolvimento de empresas de energia e concorrer com os EUA, onde estes processos são mais rápidos”, explica ao Dinheiro Vivo Renato Braz, Business Creation Manager da KIC.

Mas não é qualquer projeto que recebe o dinheiro. “A ideia tem de trazer algo novo ao mercado e ter um plano de negócio viável, mas também pode ser uma tecnologia para desenvolver”, diz, acrescentando que o processo de escolha é, por isso, preciso e exigente.

Tudo começa com reuniões preliminares, após o que a KIC escolhe quais os projetos que vão ser apresentados num pitch de hora e meia. “Se for viável, encomendamos três estudos que avaliam a solidez da tecnologia e do produto ou serviço, o plano de negócios e o perfil dos empreendedores”, adianta Renato Braz. Depois deste passo, que dura um mês, os empreendedores vão a Barcelona para uma apresentação de 10 minutos, “para esclarecer falhas que possam existir”. “Um ou dois dias depois” a Kic toma a decisão.

Orçamento de 1,8 milhões para Portugal e Espanha

Das 15 empresas portuguesas ouvidas desde maio – quando a KIC abriu a filial em Lisboa -, cinco passaram à fase de estudos, mas apenas uma foi escolhida: a WeTruck. A ela juntam-se mais duas que foram à sede regional de Barcelona ainda em abril. São elas a IsGreen, uma empresa de soluções de poupança de energia, e a Rve Sol, que criou uma central energética dentro de um contentor. Esta produz biogás através de estrume, faz tratamento de águas sujas e produz eletricidade através de fontes solares e biomassa. Um produto para ser usado em comunidades agrícolas remotas e que já está a ser usado no Quénia.

No total, a filial portuguesa já adjudicou 300 mil euros e ainda poderá adjudicar mais até ao final do ano, uma vez que haverá outro pitch a 17 de setembro, para o qual já foram selecionadas duas ideias. “Temos um orçamento de 1,8 milhões para Portugal e Espanha em 2014 e queremos ter seis projetos portugueses este ano, ou seja investiremos 600 mil euros. Os números não são clausus – tudo depende dos projetos. E temos tido ideias com qualidade em Portugal”, assegura Renato Braz.

 

Fonte: Dinheiro Vivo

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