A Kyaia, o maior grupo português de calçado, prevê fechar o ano com um crescimento nas vendas próximo dos 5%, previsão que a concretizar-se significa um volume de negócios da ordem dos 59 milhões de euros face aos 56 milhões facturados em 2012. Este crescimento será alavancado pelas vendas no exterior, já que o mercado interno está em contracção. O elevado número de encomendas para a colecção Outono-Inverno obrigou o grupo a reforçar o número de trabalhadores e a alargar o horário de produção.
Perante a contracção do mercado doméstico, o presidente do grupo Kyaia, Fortunato Frederico, assume: “Tivemos de ir à procura de novos mercados, só a Fly London – a principal marca do grupo – perdeu dois milhões em vendas em Portugal.”
De acordo com as suas previsões, também o sector português do calçado está em expansão e deverá registar este ano um aumento entre 3 a 4% das exportações, tendo em conta que no ano passado atingiu a barreira histórica de 1.600 milhões de euros. Nos primeiros seis meses de 2013, a indústria portuguesa de calçado exportou 813 milhões de euros, apresentando um aumento de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do INE. A crise no País obrigou as empresas a redobrar esforços além-fronteiras.
Fortunado Frederico realça que a quebra no mercado interno deve-se em exclusivo à perda de poder de compra dos portugueses. Aliás, a sua rede de lojas Foreva ressente-se exactamente do clima de contracção da economia nacional. Até Agosto, as sapatarias do grupo registavam quebras de 15% nas vendas. Neste cenário, a Kyaia apostou no reforço das exportações.
Segundo o empresário, que está neste momento numa feira de calçado em Chicago (Estados Unidos da América), a Fly London conquistou recentemente três novos mercados – um deles é a Coreia do Sul -, totalizando agora 58 destinos de exportação. A marca está também presente na GDS, feira internacional do calçado que abre hoje portas em Dusseldorf, Alemanha, e decorre até sexta-feira. Logo de seguida, a marca portuguesa, que tem no Reino Unido o seu principal mercado, parte para a MICAM, em Milão, onde apresentará a colecção Primavera-Verão 2014 até 18 de Setembro.
A Softinos, marca mais recente do grupo, segue os passos da Fly London e tem ‘stands’ próprios na GDS e na MICAM. A Softinos é uma aposta do grupo Kyaia num sapato de ‘design’ concebido para o dia-a-dia.
Trabalho a dobrar
O grupo Kyaia, que tem fábricas em Guimarães e Paredes de Coura, está sobrelotado de trabalho e o mesmo se passa em outros grupos nacionais do sector. “Muita gente foi de férias com encomendas em atraso”, revela Fortunato Frederico. Nas suas fábricas, desde Junho que o horário de trabalho diário foi prolongado. “Estamos a trabalhar mais duas horas por dia para responder às encomendas. Paramos duas semanas em Agosto e agora vamos manter as duas horas até Outubro para pôr as encomendas em dia”, adianta o empresário.
“Houve uma procura maior do que se previa e os modelos da colecção de Outono-Inverno são sempre mais complicados”, explica. O alargamento do período de produção foi ainda acompanhado por um reforço de trabalhadores. “Tivemos que reforçar a mão-de-obra”, revela o empresário. O grupo contratou há cerca de quatro meses mais 15 trabalhadores para as suas unidades fabris. Fortunato Frederico garante que estes novos trabalhadores não são apenas para responder a este pico de encomendas, mas para “ficar”.
Fonte: Económico