CEO dizem que mais importante do que a formação académica são as actividades extra-curriculares e experiências de vida. Estudantes devem apostar nas formações técnicas.

Hoje não chega um curso superior, as empresas procuram outras coisas, as ‘soft skills’, as actividades extra-curriculares, as experiências de vida”. A opinião é de Ana Paula Moutela, da Inditex, empresa proprietária da Zara, entre muitas outras empresas. “Quando olho para um CV o que me interessa é o que não está lá”, afirmou Fernando Ulrich, do BPI.
Estas foram algumas das frases que vários CEO portugueses de grandes empresas disseram na sequência do debate da conferência “Youth & Jobs”, organizada pela Universidade Europeia. Mas ao longo de toda a manhã em que se falou da “desadequação entre o que as empresas procuram e o que os jovens tentam adquirir como formação”, como constatou Diogo da Silveira, recentemente nomeado CEO da Portucel, ao confirmar os dados de um estudo da União Europeia, que conclui, precisamente que as necessidades das empresas e e a formação dos estudantes estão desajustadas.
Foi a partir desta premissa que o debate tentou trazer a público quais são, afinal, as necessidades das empresas, o que lhes interessa e como se pode colmatar essa falha. E ideias não faltaram: Diogo da Silveira sugeriu a criação de formações técnicas e curtas, especificamente focadas em determinado assunto ou profissão.
Ana Paula Moutela foi chamando a atenção para a necessidade de “os pais estimularem os filhos a abrir horizontes, fazerem voluntariado, irem trabalhando em ‘part-time’ enquanto estudam ou outras actividades que possam enriquecer a vida e personalidade do candidato, mais do que a sua formação académica”. Fernando Ulrich chegou mesmo a desabafar que “passado pouco tempo já nem sei que curso aquela pessoa fez, de que universidade vem. Aquilo que me lembro e interessa é o seu desempenho: tem de ter capacidade de trabalho, de interagir com os outros e uma cabeça preparada para pensar”.
Enquanto Mário Vaz, CEO da Vodafone Portugal, lembrou que “é preciso atenuar os estigmas ligados aos cursos técnicos e profissionais e pôr as empresas a trabalhar mais, também com as universidades para se recrutarem os melhores recursos”. Aliás, o CEO da Vodafone acredita ter dado um passo muito importante nesse sentido, ao ter abolido o uso do tratamento por doutores ou engenheiros, passando a usar-se, na empresa, apenas o nome da pessoa em causa, independentemente do seu cargo ou função.
Em jeito de conclusão, tal como Fernando Ulrich fez questão de repetir, ficou a ideia para uma audiência cheia de empresários e dirigentes de diversas empresas do mercado: “A componente da formação das pessoas para a vida, além da formação académica, não pode ser pedida somente às universidades”.
Fonte: Económico