A Lima Smith está a projectar um conjunto de investimentos nas quintas que adquiriu nos últimos dois anos no Douro.

A Lima Smith, detida maioritariamente pelo empresário brasileiro Marcelo Lima e pelo inglês Tony Smith, já investiu mais de dez milhões de euros na região do Douro e prepara-se para despender mais capital na região. Os dois investidores entraram em Portugal há pouco mais de dois anos, quando adquiram a Quinta da Covela (Baião), que chegou a pertencer a Manoel de Oliveira. Compraram no ano passado a Quinta da Boavista à Sogrape e a marca Quinta das Tecedeiras à Dão Sul. Ambas no Douro. E, diz Tony Smith ao Diário Económico, não vão ficar por aqui.
Em perspectiva, está um novo projecto vinícola, que Tony Smith não quer ainda revelar. Para já, avança sem segredo que a empresa vai intervir na adega da Quinta da Boavista, montar um sistema de frio na Quinta das Tecedeiras (onde têm direitos de exploração da vinha) e instalar um centro de visitas e loja na Quinta da Covela. “A Quinta da Boavista tem uma adega dos anos 80 para produção em massa de vinho do Porto, o que não é o mesmo que fazer vinho de mesa”, frisa. Neste momento, a empresa estuda com a autarquia local se constrói uma nova adega ou se adapta o edifício às novas necessidades. Já a Quinta das Tecedeiras “precisa de investimentos para modernizar a produção, nomeadamente um sistema de frio”, adianta.
Na Quinta da Covela, que possui um conjunto de pequenas vilas, Tony Smith quer potenciar o enoturismo, mas sem hotel. A ideia é ter uma casa de hóspedes para receber os distribuidores, críticos de vinho e jornalistas e, em simultâneo, consumidores que queiram fazer uma visita com prova e refeições. Tony Smith revela também que pretende abrir uma loja de vinhos em cada uma das quintas.
Este inglês apaixonado pelo vinho e pelo Douro – e que foi jornalista na The Associated Press, The New York Times e director da Condé Nast International – está entusiasmado com o negócio. Os primeiros vinhos que saíram das mãos dos novos accionistas da Quinta da Covela esgotaram (a colheita de 2012 entrou no ano passado no mercado) em cinco meses. “Lançamos os brancos em Abril e em três meses estava tudo alocado, depois fomos tentando gerir o stock”, explica. O mercado nacional ficou com 60%. E se a produção em 2012 foi pequena devido às condições climatéricas, a colheita de 2013, que chegou agora ao mercado, já permitiu duplicar o número de garrafas: 80 mil.

Segundo Tony Smith, a procura internacional dos vinhos Covela vai poder agora ser satisfeita. No ano passado, os vinhos chegaram aos EUA, Brasil e Alemanha. Tony Smith está agora a vender também para o Reino Unido, Canadá e Bélgica e a desbravar novos destinos. O objectivo é assegurar 50% das vendas no exterior.

Este ano, a empresa irá ainda lançar os seus primeiros vinhos da Quinta das Tecedeiras, cerca de 20 mil garrafas. Já os vinhos da Quinta da Boavista, propriedade associada ao Barão de Forrester, – resultado da vindima no ano passado – estão em envelhecimento. Como realça Tony Smith, “os vinhos da Boavista têm que ser mesmo top, os melhores do Douro, não vamos por atalhos”.

Para já, a empresa de Marcelo Lima não divulga vendas, dado estarem ainda numa fase inicial do negócio. Marcelo Lima é accionista do grupo brasileiro Artesia, que tem negócios em áreas como a refrigeração comercial, vestuário e banca.

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