Nem mesmo o fim da crise política e a nomeação de novos ministros para o Governo convence o mercado dos títulos do Tesouro.

Por exemplo, a poderosa Pimco, a maior gestora de fundos obrigacionistas do mundo, veio dizer que recusa emprestar dinheiro à República. A taxa de juro das obrigações (OT) a 10 anos continua, assim, a subir. Estava a negociar perto dos 6,5% no início da tarde desta quarta-feira, valor que compara com o fecho de 6,36% de segunda-feira.

Demolidoras são as palavras de Andrew Balls, o chefe do departamento de investimentos europeus da Pimco. Em entrevista ao The Wall Street Journal, o gestor dizia ontem que está “cauteloso relativamente às perspetivas de médio prazo na zona euro” e que continua “a afastar-se” dos mercados de obrigações do Tesouro de Grécia, Portugal e Irlanda, reduzindo assim a sua exposição.

O gestor não explica, mas este afastamento pode traduzir-se em vendas de títulos nacionais ou em congelamento de compras. Ambas as ações fazem subir os juros da República no mercado secundário (o mercado retalhista deste tipo de produtos).

Numa entrevista em abril, recorda o mesmo jornal, Balls disse que também estava a desfazer-se de obrigações espanholas e italianas.

As manobras de bastidores e as “reviravoltas” de Paulo Portas e de Passos Coelho são alguns dos aspetos que pior caíram nos radares dos mercados. A agência Reuters fala de “várias reviravoltas, incluindo uma resignação irrevogável do parceiro mais pequeno do Governo de coligação, que acabou por levar à sua promoção”.

A mesma peça avisa que “a crise desperdiçou três semanas preciosas”, “deixou os protagonistas enfraquecidos”. “A crise política de Portugal pode ter sido vencida no papel, mas os jogos de poder dos piores tempos

[do país] ajudam pouco a credibilidade externa do país resgatado”, atira a agência noticiosa sedeada em Londres.
A Pimco é, justamente, um dos atores do mercado que sinaliza pouca fé no país.

Ainda esta semana, o Dinheiro vivo noticiou que os bancos portugueses que emprestaram dinheiro ao Estado comprando obrigações do Tesouro – a maioria – também deverão participar no esforço de alívio do calendário de pagamentos dos próximos anos no âmbito de um novo plano de reestruturação de dívida. À semelhança do que já aconteceu com os credores oficiais da União Europeia (fundo e mecanismo europeus).

Este prognóstico vem da própria Pimco. Esta considera praticamente inevitável um segundo resgate ao país ou pelo menos um reforço do empréstimo quando terminar o programa atual, em junho de 2014.

Fonte: Dinheiro vivo

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