As maiores empresas em Portugal, como a Sonae, EDP, Galp, Brisa, Portucel, Unicer ou PT vão fazer um levantamento das competências que mais precisam nos futuros trabalhadores para depois entregar nas escolas, universidades e no ensino profissional. A iniciativa vai ser apresentada esta segunda-feira na Universidade Católica de Lisboa e insere-se no Ação 2020, um projeto do Business Council for Sustainable Development (BCSD) que integra 100 empresas em Portugal, entre elas as maiores a nível nacional.
“Não estão a sair miúdos das escolas com as competências que as empresas precisam”, disse ao Dinheiro Vivo, a secretária-geral do BCSD, Fernanda Pargana, explicando que vão levar a lista de competências maioritariamente ao ensino profissional, mas também algumas faculdades e até escolas preparatórias, ou seja, aos alunos de 13 e 14 anos que estão a decidir o que vão seguir no futuro.
Pretendem ainda levar o trabalho desenvolvido aos decisores políticos e “propor adequar os conteúdos curriculares às necessidades de quem emprega as pessoas”.
“Esta ação cumpre outro importante objetivo do projeto que é contribuir para criar melhores condições de trabalho no país, em particular para as gerações mais novas e, simultaneamente, é um importanre fator de adequação das expectativas dos alunos ao mercado de trabalho, uma situação que hoje em dia é muito díspar”, acrescentou ainda Fernanda Pargana.
O projeto na área do desenvolvimento social é apenas um dos 13 que as empresas do BCSD vão desenvolver já a partir de 2014 e durante os próximos seis anos no âmbito do Ação 2020. No total, estas empresas vão atuar em seis áreas distintas, como a economia, energia, agicultura, cidades e infraestruturas e, por fim, indústria e materiais.
“O projeto Ação 2020 nasceu no início de 2013 da vontade de as cerca de 100 empresas representadas no BCSD darem um contributo para resolver os problemas do país, porque é hoje claro que as empresas não podem ser sustentáveis num país onde a sociedade não tenha condições para o progresso”, explicou a secretária-geral do BCSD, acrescentando que estão agora na fase de definir o calendário destas ações.
Os projetos na área do emprego, onde se integra a elaboração desta lista de competências, serão os primeiros a avançar, mas a “iniciativa na área da eficiência energética deverá ser outra das que estará na poll position”.
Neste caso, explica Fernanda Pargana, o objetivo é “usar exemplos de casos de sucesso de empresas que aplicaram soluções de eficiência energética e onde esse investimento demorou pouco a recuperar, por exemplo um a dois anos”.
Outro dos projetos a desenvolver, na área da indústria e materiais, está relacionado com os resíduos. “Será implementado através da criação de uma plataforma de troca de informação e responde a um problema comum entre os membros do BCSD, em particular os que estão na indústria, ou seja, as empresas falam pouco entre si sobre que produtos e sub-produtos estão a utilizar, e que sinergias podem ser encontradas para promover uma utilização mais eficiente desses materiais. A percentagem de resíduos valorizados em Portugal é inferior à média europeia e, do ponto de vista da sustentabilidade, há uma grande margem de melhoria”.
Segundo Fernanda Pargana, o objetivo é que, para todas as ações, encontrem “formas pragmáticas de atingir resultados”, o que mostra também uma evolução no trabalho realizado pelo BCSD.
“O Ação 2020 é subir uns pontos na escala do que já vinhamos fazendo. Sempre pensámos em respostas aos desafios das empresas, mas era um processo mais fechado. Foi por força da conjuntura do país que decidimos dar um contributo real”, remata.
Fonte: Dinheiro Vivo