A crise política deixou Portugal sem qualquer margem para errar. De acordo com o Diário Económico, a economia nacional já não é vista como estável e cumpridora e os mercados consideram que a decisão tomada este domingo pelo Presidente da República é temporária e susceptível a riscos e novas tensões políticas.

Portugal não pode voltar a errar. Segundo o Diário Económico, a economia portuguesa está na corda bamba e uma nova crise política pode deitar por terra todos os esforços feitos até agora. Isto porque a economia nacional está sob o olhar atento dos mercados, que esperam que a decisão de Cavaco Silva seja temporária, e consideram que comporta elevados riscos de novas tensões políticas, principalmente na altura de fechar o Orçamento do Estado para o próximo ano.

A crise política das últimas semanas teve, e ainda tem, custos ao nível da confiança e instabilidade no País, estando os analistas com um ‘pé atrás’ a propósito dos próximos desenvolvimentos políticos. “A confirmação do actual Governo pelo Presidente dá ideia de que a crise política foi resolvida por agora”, diz Marius Daheim, do Bayersche Bank, citado pelo jornal. “Mas teremos de ver ainda qual a duração desta estabilidade política”, avisa.

A posição dos mercados perante a situação portuguesa divide-se assim entre espectativa e medo. Pelo menos esta é a opinião de Alexander Alginger, do Commerzbank: “Os mercados vão continuar expectantes e receosos de que o Governo possa voltar a cair numa crise semelhante”. “É difícil imaginar que iremos ver as ‘yelds’ da dívida portuguesa baterem nos mínimos”, frisa.

Ricardo Santos, economista do BNP Paribas, diz, por seu turno, que as tensões políticas têm tudo para se manter, “já que Maria Luís Albuquerque continua ministra das Finanças e essa foi a razão para a decisão de Paulo Portas ter ameaçado a demissão”. O especialista lembra ainda que “os momentos-chave” para saber se este Governo é capaz de não falhar novamente são a oitava revisão do programa de resgate e o Orçamento para 2014.

“Portugal perdeu alguma da aura de estabilidade que tinha. O resultado é que qualquer reacção do mercado perante futuros percalços políticos será ampliada”, alerta Ricardo Santos, frisando que tais percalços poderão “impedir a emissão de obrigações do Tesouro para atingir a desejada antecipação das amortizações de dívida do próximo ano”.

“Se Portugal não tiver acesso ano mercado no último trimestre deste ano, pode ser necessário um novo resgate”, sublinha.

Fonte: Notícias ao minuto

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