Quem olha para um Mercedes, Opel ou Renault não imagina que há portugueses envolvidos no processo de produção, criando especificamente ferramentas vitais para construir um motor. E nem os aviões Airbus ou Boeing escapam à influência lusa. A empresa chama-se Palbit, com sede em Albergaria-a-Velha. Tem um volume de negócios de 12 milhões de euros e exporta para 62 países dos cinco continentes.
Durante a feira AMB, evento anual do setor da metalomecânica a decorrer em Estugarda, capital do estado alemão de Baden-Wurttemberg, Jorge Ferreira, sócio e administrador executivo, explica a receita do sucesso deste “campeão escondido” do tecido empresarial português. “A nossa empresa nasceu em 1916, mas só começou a produzir ferramentas em metal duro, logo a seguir à II Guerra Mundial. Exportamos 90% da produção. Tudo aponta que o volume de negócios ascenda a 12 milhões de euros em 2014”, afirma Jorge Ferreira.
A empresa produz ferramentas de corte, peças de anti-desgaste e ferramentas para tratamento da pedra. Dito desta forma, pode parecer um negócio pouco interessante para o público em geral, mas bastará dizer que a Renaut de Cacia não dispensa os produtos da Palbit. O mesmo se diga da Volkswagen no Brasil e México ou até da Opel (fábrica na Hungria) e a Continental, mais conhecida pelos pneus mas que também produz travões que contam com o contributo português. A estrutura das hélices e motores da Boeing e Airbus também tem uma mão portuguesa no seu fabrico.
Uma equipa de 195 colaboradores motivados e um departamento de investigação e desenvolvimento, onde são investidos até três milhões de euros anualmente, são fatores que ajudam a explicar um crescimento de 25% ao ano desde 2005. “A nossa fábrica tem 8000 m2, mas admitimos fazê-la crescer, tendo em conta as nossas taxas de crescimento”, afirma o administrador executivo.
A deslocalização não está nos planos da Palbit, apesar de reconhecer que a carga fiscal é muito elevada. “Como portugueses, queremos manter a produção no país e só admitimos filiais de comercialização no estrangeiro, como já temos no Brasil e México. “É um país bom e de gente trabalhadora”, sublinha Jorge Ferreira, um dos três sócios nortenhos que resolveram assentar mais a estratégia de crescimento no reinvestimento dos lucros e menos no crédito bancário, ao contrário da maioria das PME portuguesas.
Fonte: Dinheiro Vivo