O governo alemão está a apelar à Google para que revele a fórmula que permitiu ao motor de busca monopolizar a procura de dados na internet na Europa.
Em declarações ao Financial Times, o ministro da Justiça alemão Heiko Maas reclama mais transparência da Google sobre o algoritmo utilizado pela empresa para criar a ordenação de pesquisas.
Maas justifica a exigência com a crescente influência que o motor de busca está a ter no desenvolvimento económico da Europa, mas o pedido está a gerar mal-estar junto da representação norte-americana em Berlim, que o considera uma tentativa de “apropriação de propriedade intelectual”.
A Google – que tem uma quota de mercado de mais de 90% na Europa – defende que a revelação desse algoritmo exporia a empresa não apenas a acções não solicitadas (SPAM) como colocaria de forma gratuita informação privilegiada nas mãos das empresas concorrentes.
“Acredito que o poder da Google sobre os consumidores e operadores de mercado é extraordinário. (…) Temos de pensar que medidas podem ser postas em prática para que não haja abuso de poder”, argumentou o ministro da Justiça alemão ao FT, que prefere a via de um acordo amigável com a tecnológica.
Na semana passada a Comissão Europeia rejeitou a terceira tentativa da Google em quatro anos para um acordo que evite uma condenação por alegadamente manipular os resultados das buscas dos utilizadores em benefício próprio, dirigindo o tráfego de utilização para os seus serviços.
Entretanto o presidente eleito da Comissão, Jean-Claude Juncker, já manifestou vontade de que a directiva única de protecção de dados no espaço da UE seja aprovada em meados do próximo ano, indo ao encontro das preocupações de Berlim, que defende uma regulação mais apertada do tráfego de dados entre os EUA e o espaço europeu.
A preocupação alemã com a privacidade dos dados – sobretudo face aos EUA – agudizou-se desde que, em Outubro de 2013, a imprensa revelou que a Agência de Segurança Nacional norte-americana terá interceptado conversações telefónicas da chanceler Angela Merkel e utilizado a embaixada em Berlim como posto de escuta.
Fonte: Económico