Mais de 40 empresas portuguesas tentam tirar partido da queda das restrições aduaneiras da Colômbia. Sectores têxtil e do calçado fazem aposta em conjunto.

Mais de 40 empresas dos sectores do têxtil e do calçado estão prestes a aterrar em Medellín, Colômbia, para conquistar a América Latina. A moda portuguesa vai estar assim representada na ColombiaModa, feira que decorre entre 22 a 24 deste mês e que concentra milhares de compradores da América Latina. E se as empresas têxteis já conhecem relativamente bem a região – tendo algumas negócios já firmados – os empresários do calçado vão à procura de oportunidades para incrementarem as exportações.

A Rendibor, empresa especializada em rendas e bordados, vai pela terceira vez à Colômbia, mercado onde logo na primeira apresentação – há dois anos – encontrou um representante. “O nosso parceiro é a maior fábrica de fitas para confecção da América do Sul, a Fahilos”, conta Francisco Menezes, administrador da Rendibor. “O nosso produto é complementar ao deles e os clientes coincidem, daí o nosso sucesso nesse mercado”, adianta. Com o apoio da Fahilos, a Rendibor coloca o seu produto na Colômbia, no Equador e na Costa Rica.

A “nossa grande aposta é a América Latina”, frisa Francisco Menezes. A Rendibor, que opera sob a marca Ribera, está já a trabalhar directamente o Peru e em vias de finalizar um acordo no México com a maior cadeia de lojas de tecidos e acessórios de moda do país. A Rendibor assegura 90% da sua facturação no exterior, sendo que a América Latina pesa já 40%. A empresa facturou no ano passado um milhão de euros.

Alberto Sousa, presidente executivo da marca de sapatos Eureka, vai marcar presença pela primeira vez na ColombiaModa, mas as expectativas são altas. O empresário vai com os olhos postos na Colômbia, mas também no Chile e no México. O foco é investir na criação de uma rede de lojas naquela região do planeta e já tem dados sobre espaços em centros comerciais nos mercados da Colômbia e do Chile. “Queremos abrir lojas próprias em Bogotá e Medellín, tudo agora depende dos preços”, adianta. O objectivo é criar uma rede, para ajudar a suportar a logística. Alberto Sousa acredita nas potencialidades desses mercados, onde “as mulheres estão ávidas por produtos europeus”.

Também a empresa de têxtil-lar AMR marca pela terceira vez presença na Colômbia. Com um produto de luxo, a AMR já garantiu alguns clientes neste mercado, para onde também acaba de enviar uma encomenda para um hotel em Bogotá. Como adianta Ana Maria Ribeiro, sócia-gerente da AMR, “fornecemos todos os produtos no que toca a banho, mesa e cama”. E como esses investidores querem construir mais unidades hoteleiras, a AMR tem aqui uma oportunidade de negócio. Segundo Ana Maria Ribeiro, a AMR – que exporta 95% da produção – já vende para o Brasil, Chile, Argentina, República Dominicana e Costa Rica. O objectivo é reforçar.

A marca de calçado Nobrand vai pela primeira vez pisar o solo colombiano, mas já vendeu aí três mil pares de sapatos e prepara-se para enviar nova encomenda de dois mil pares, adianta Sérgio Cunha, presidente executivo do grupo Pedreira (que detém a marca Nobrand). Na ColombiaModa, o empresário pretende observar ‘in loco’ o gosto dos colombianos, para melhor adaptar o produto ao consumidor local, e contactar com compradores de mercados como o Chile, Peru e Equador. A recente eliminação dos custos aduaneiros, com o acordo comercial UE-Colômbia, “é uma vantagem muito boa”, sublinha. No entanto, Sérgio Cunha vai com cautela, pois é um mercado novo e onde o factor moda ainda não está enraizado na maioria dos consumidores.

A Fly London, marca do grupo Kyaia, estará também com um stand na ColombiaModa. Fortunato Frederico, presidente do grupo, “já esteve por duas vezes” nesse país, que oferece “boas condições” para futuros negócios. Mas para já ainda não tem nada fechado.

Para António Cunha, director comercial da têxtil Orfama, a presença na ColombiaModa “serve também de plataforma para mercados como o México, a Guatemala ou o Panamá. Um dos pontos que interessa explorar é a América Latina”. A Orfama já participou noutras feiras neste país e já ganhou um cliente no México. “Tentamos encontrar nichos de mercado, que queiram pequenas séries, qualidade superior, resposta rápida e estejam dispostos a pagar isso”, frisa. A Orfama facturou no ano passado seis milhões de euros, 99% obtido na exportação.

 

Fonte: Económico

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