Desde o início da crise, em 2007, que estão a nascer menos empresas em Portugal. Mas foi nesses anos que o País conseguiu quebrar o recorde de empresas criadas por dissolução: em 2013, nasceram 2,3 por cada uma que fechou, o valor mais alto dos últimos cinco anos. O sector primário, por exemplo, criou seis por cada uma fechada.

Os dados são divulgados pela consultora D&B, que desde ontem disponibiliza informações sobre a atividade económica no site Conhecer a crise, da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Este site permite perceber o impacto da crise em vários sectores da sociedade e agora conta também com informações sobre a vida das empresas.

De acordo com a consultora, estavam ativas em 2012 (último ano calculado) 365 mil empresas, menos sete mil do que dois anos antes. Com impacto na faturação: 61% faturaram em 2012 menos de 250 mil euros e apenas 0,2% (cerca de 600) conseguiram um volume de negócios superior a 50 milhões.

A volatilidade dos negócios, associada ao menor poder de compra e contração do sector produtivo, levou a que as empresas portuguesas se tornassem mais frágeis: 77,7% sobreviviam ao primeiro ano de atividade em 2007, um número que caiu para 70% em 2012. É ainda visível que o total de empresas existentes neste ano corresponde a um universo de 86,6% das existentes e ativas no ano anterior. Em 2010, no início da crise financeira, esta percentagem correspondia a 90%.

Também há menos empresas de crescimento acelerado. Em 2009, seriam 0,5% do tecido empresarial português, mas em 2012 este peso caiu para 0,3%. Mas também aqui há boas notícias, já que as grandes empresas criaram mais postos de trabalho. Em 2009 eram responsáveis por 9,1% dos empregos criados e em 2011 respondiam por 9,8%.

Os salários, porém, desceram em 2011 e 2012 depois de subidas consecutivas entre 2007 e 2010. Os dados do portal Conhecer a crise mostram que o custo médio por empregado é de 18 243 euros/ano, o que dá uma média de 1300 euros por trabalhador (14 meses de salário), o valor mais baixo desde 2008.

Boas notícias vêm das exportações: o número de empresas que vende para fora subiu durante a crise, como também cresceu o número de empresas que exportam mais de 10% da produção. Contas feitas, 13,1% das empresas estão a vender ao exterior (13,1% em 2010) e 7,9% vendem pelo menos 10% da produção (6,8% em 2010). Ou seja, quase 25 mil empresas portuguesas estão a vender 10% para fora. O volume de negócios gerado por esta fatia – 6,8% do total de empresas existentes no País – representa 36% do total do tecido empresarial, o que mostra que as exportadoras estão cada vez mais fortes.

 

Fonte: Dinheiro Vivo

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