O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, alertou ontem para o facto da ocorrência do primeiro caso de contágio de Ébola fora de África está já a ter consequências negativas na economia espanhola, através do cancelamento “dos bilhetes das companhias aéreas”.
Estas declarações causaram polémica, uma vez que contrariam as declarações do sector turístico espanhol. “Não verificámos até ao momento uma quebra da procura turística internacional, nem em Madrid, nem em outros destinos”, declarou o vice-presidente executivo da Aliança para a Excelência Turística espanhola, José Luis Zoreda. O apelo à calma dos responsáveis espanhóis não parece tranquilizar os outros países europeus. Por exemplo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido alertou os turistas britânicos de que foi registado um caso de Ébola em Madrid, e que, caso decidam visitar a capital espanhola, “há medidas que podem tomar para evitar serem contagiados”. Ao mesmo tempo, Londres anunciava um “reforço dos controlos” nos terminais dos aeroportos de Heathrow e Gatwick, bem como no comboio ‘Eurostar’. A seriedade da actual epidemia de Ébola, que já matou 3.860 pessoas, foi ontem sublinhada pelo director do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, Thomas Frieden, para quem esta é a mais grave crise da saúde mundial “desde a aparição da SIDA”, no início dos anos 80. Para tentar conter o vírus, o aeroporto JFK de Nova Iorque anunciou que irá passar a submeter a rastreios os passageiros vindos da África Ocidental.
Fonte: Económico