Quem já fez um Master in Business Administration (MBA) sabe que os case studies apresentados nas universidades portuguesas estão sempre relacionados com empresas internacionais. Casos de sucesso como a Portugal Telecom, a Galp, a EDP ou a Brisa, entre outros, não estão estudados do ponto de vista da ciência económica. O Fórum de Administradores de Empresas (FAE), liderado por Luís Filipe Pereira, quer acabar com esse vazio científico e construiu uma parceria com a Universidade Nova, as universidades católicas de Lisboa e do Porto e o INDEG, a business school do ISCTE, para aumentar os case studies de empresas portuguesas de sucesso que possam ser trabalhados pelos alunos de MBA dessas instituições.
Em declarações ao i, Luís Filipe Pereira explica que o objectivo dessa parceria foi incentivar os alunos e os professores de cada faculdade a construir esses case studies de forma a aproximar os alunos da realidade da economia portuguesa. Dos 14 trabalhos enviados, a direcção do FAE já escolheu os seis melhores. Um júri constituído por João Salgueiro, Eduardo Catroga, Gilberto Jordan, Esmeralda Dourado e Estela Barbot vai anunciar o nome do vencedor na primeira quinzena de Outubro. Este terá direito a um prémio pecuniário, patrocinado pela EDP, e designado Prémio Escrita de Casos FAE, no valor de 10 mil euros. Filipe Pereira diz que esta iniciativa se repetirá anualmente com um objectivo claro: “Daqui a quatro, cinco anos, conseguiremos construir uma centena de case studies”, adiantando que os trabalhos premiados poderão ser colocados no estrangeiro a curto prazo.
PROBLEMAS DE EMPRESAS O FAE nasce de um novo conceito de think tank, segundo Luís Filipe Pereira, que tenta “agregar pessoas que tenham funções de administração nas empresas portuguesas” e aproximá-las de outros sectores que interagem com o mundo empresarial, como a política e a administração pública. A intenção da organização passa por reunir os diversos actores desses sectores e promover debates de forma que cada um perceba os problemas da outra parte. Em 2012, por exemplo, o fórum promoveu um encontro “entre gestores de empresas e deputados da Assembleia da República”. Na opinião do presidente do FAE, este contacto é necessário porque “as empresas compreendem mal o mecanismo de decisão política e os deputados também não sabem quais são os reais problemas dos gestores”. Na altura em que o projecto foi realizado, Luís Filipe Pereira, ex-ministro da Saúde de Durão Barroso, participou com Maria Antónia Almeida Santos numa iniciativa que visava apresentar propostas de alterações legislativas na área da saúde, tendo os dois sugerido que um cidadão que sai de um hospital público tenha conhecimento de quanto o Estado gastou com os serviços prestados. Outros grupos de trabalho semelhantes foram criados no âmbito do Programa Empresas Parlamento pelo FAE, abrangendo vários sectores como a economia, os transportes, a energia e o turismo. Os resultados e as conclusões desta iniciativa serão publicados num livro no próximo mês de Setembro.
Filipe Pereira revelou ao i que, após o Verão, o FAE vai realizar um novo debate, que ocorrerá como é habitual a uma quinta-feira, e que terá o economista Eduardo Catroga, presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, como orador.
Fonte: Jornal i