Os receios de queda da coligação governamental e de colapso do programa de resgate que possa obrigar a uma nova ajuda financeira estão a provocar uma hecatombe na Bolsa de Lisboa e a fazer disparar os juros da dívida soberana.

Como consequência, são vários os bancos de investimento mundiais que estão a comentar esta crise e incerteza política de Portugal, desde o Saxo Bank ao Barclays, passando pelo JP Morgan.

Saxo Bank
“A coligação governamental portuguesa

[constituída pelo PSD e CDS-PP] está a desfazer-se. É de esperar que o Governo português possa cair nas próximas 48 horas, havendo a convocação de novas eleições”, disse Steen Jakobsen, economista-chefe do Saxo Bank, numa nota enviada aos clientes citada pelaLusa.

“Portugal poderá pedir um segundo resgate nos próximos seis meses”, adianta Jakobsen referindo que os juros da dívida portuguesa nos 8% são “insustentáveis”.

Bank of America Merrill Lynch
Já o Bank of America Merrill Lynch, numa nota citada pelo Diário Económico, alerta que a crise política e a possível queda do Governo cria expetativas de que o país possa precisar de um segundo resgate, tal como aconteceu com a Grécia, além de ver reduzidas as probabilidades de regressar ao mercado de dívida no próximo ano.

No documento, o Bank of America Merrill Lynch sublinha ainda que nesse eventual segundo resgate poderá englobar o envolvimento dos credores privados num perdão de dívida.

Barclays
No caso do Barclays, o banco britânico acredita que a crise política em Portugal deverá ter um impacto “muito significativo” para o país, conduzindo à “venda generalizada” das obrigações portuguesas.

Os analistas Antonio Garcia e Fábio Fois, citado pelo Negócios, acreditam que os recentes desenvolvimentos vão levar a um ‘sell-off’ da dívida portuguesa, dificultando o regresso completo de Portugal aos mercados.

Os mesmos responsáveis dizem que a demissão de Paulo Portas não é uma situação crítica para o resto da Europa, ainda assim admitem que o cenário mais provável são eleições antecipadas no país.

BNP Paribas
“Ninguém na Europa quer outra Grécia. E Portugal tem vindo a ser constantemente elogiado pela execução do programa mesmo tendo falhado objetivos orçamentais”, afirma Ricardo Santos, economista do BNP Paribas.

Numa nota emitida hoje, e citada pelo Negócios, o responsável alerta que “a paciência estará a esgotar-se em Washington, Bruxelas e Frankfurt, pelo que a troika deverá exigir algum tipo de garantia de que o programa continua a ser aplicado. Perante este cenário, podemos ver uma repetição do que aconteceu em 2011, com o acordo entre o PS, PSD e CDS em relação ao memorando, antes das eleições”.

O mesmo analista acrescenta que “mesmo que os cenários mais benignos se materializem, o processo político deverá ser atribulado e podemos assistir a algum impasse nos próximos meses. Portugal poderá acabar com um novo programa e perder a imagem de bom aluno”.

JP Morgan
Já o analista do JP Morgan, Alex White, acredita que a demissão de Paulo Portas possa ser “tática”. “Poderá não ser mais de que uma movimentação táctica destinada a ampliar a preocupação em torno de [Maria Luís] Albuquerque, a nova ministra das Finanças, e conseguir mais poder dentro de um novo Governo”, diz.

Em declarações ao Financial Times, citadas pelo Negócios, o analista diz esperar que o CDS use depois este maior peso para argumentar que Portugal tem de adoptar uma postura diferente na próxima missão de avaliação da troika, prevista para 15 de julho.

Citigroup
O banco norte-americano Citigroup também comenta a crise em Portugal. “A estabilidade política e o apoio em relação ao programa de ajustamento verificados em Portugal nos últimos anos desapareceu. Os desenvolvimentos políticos inesperados em Portugal comprovam como o ímpeto contínuo na austeridade degradou completamente o capital político do governo”, considera citado pela Negócios.

Além de não excluir a possibilidade de um governo de união nacional, o banco considera mais provável a realização de novas eleições.

Já a demissão de Paulo Portas “reduziu as hipóteses de uma saída suave do actual programa de ajustamento até meados de 2014. Um segundo pacote de resgate parece agora mais provável” e deverá incluir “algum tipo de reestruturação da dívida pública, nas pisadas da Grécia e de Chipre”, acrescenta.

Fonte: Dinheiro Vivo

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