A exame inquiriu as 100 melhores empresas para Trabalhar e contabilizou 2827 novos empregos, a gerar nos primeiros seis meses do ano. O seu perfil e as suas competências estão à altura das oportunidades?

Excelência técnica, talento, ambição e uma poderosa combinação de competências comportamentais, capaz de transformar um negócio comum num case study de sucesso. Esta é a receita dos líderes ou diretores de recursos humanos das 100 Melhores Empresas para Trabalhar em Portugal, quando o objetivo é contratar.
A Exame foi à procura de emprego nas organizações que integram o seu ranking anual, elaborado em parceria com a consultora Accenture, e encontrou perto de três milhares de oportunidades em vários setores de atividade. Em comum todos têm a missão de atrair e reter os melhores talentos.
Até junho, a equipa multicultural da Teleperformance Portugal, que integra mais de 3000 colaboradores, vai ganhar 963 novos reforços. Os projetos da empresa têm uma forte componente internacional e os seus quadros trabalham em 26 idiomas distintos. Razão pela qual João Justino, vice-presidente executivo para a área de Recursos Humanos, coloca a fluência em várias línguas no mesmo patamar de importância das soft skills (competências de comportais), como sejam a capacidade de liderança, inovação, gestão ou motivação, valorizadas pela empresa. A firma de contact center recruta em toda a Europa e segundo o vice-presidente, procura “profissionais com forte componente de gestão e liderança” para perfis que vão desde “diretores de operação, gestores de operação, gestores de cliente e de equipa, formadores, analistas de negócio, analistas de pricing, web designers, software developers ou administradores de sistemas”. No universo Teleperformance há 50 perfis diferentes e competências distintas para cada um deles. Na base que é comum a todos estão valores como a integridade, respeito, profissionalismo, empenho, inovação.
A esta lista, a gestora da rede de franchising da Remax Portugal, Belinda Loureiro, só acrescentaria o empreendedorismo.
A rede de mediação imobiliária é o segundo maior recrutador apurado pela Exame e vai integrar 600 novos colaboradores, no primeiro semestre do ano.
Entrar na empresa implica sobretudo ter um elevado grau de competências relacionais.
“A Remax não tem um perfil muito específico definido” mas valoriza fatores como “o gosto pela área comercial, a capacidade de relacionamento interpessoal, a capacidade de trabalho, o espírito de equipa, a atitude e empatia e a honestidade”, explica. Para a responsável, reunindo estas competências e com a dose certa de formação, qualquer pessoa pode tornar-se um profissional de excelência e gerar resultados.

Consultores escolhidos à lupa

Entrar na equipa da consultora PwC pode ser um processo mais complexo. A empresa está neste momento a selecionar os cerca de 140 jovens estagiários que em setembro vão integrar a sua equipa.

O processo já decorre desde novembro e só deverá estar concluído em abril. Pelo meio, explica António Saraiva, diretor coordenador de RH, “há uma fase de testes online, que sucede a candidatura e serve de primeiro elemento de triagem de candidatos. Seguem-se depois as entrevistas telefónicas, dinâmicas de grupo e entrevistas presenciais com a equipa de Human Capital, entrevistas específicas de negócio e, no final, a entrevista de decisão de admissão com os partners da PwC”.
Para os perfis mais experientes o processo é mais focalizado, mas não menos exigente. “Recrutamos profissionais que desejem ser líderes, com fortes competências de orientação relacional com equipas e clientes, orientação para o negócio (ser curioso, gostar de trabalhar em equipa e ter iniciativa) e competências globais de integridade e qualidade, além da apetência para a aprendizagem constante”, explica António Saraiva. E as competências técnicas? “Também são importantes” até porque a PwC, recruta candidatos altamente especializados nas áreas de consultoria, auditoria e fiscalidade.

A paixão faz mesmo a diferença

“Procuramos pessoas com paixão”. É este o principal crivo de Ana Rita Araújo, a diretora de recursos humanos do Hotel Vila Vita Parc, que para captar talentos recruta em todo o mundo. É, de resto, o que está a fazer agora, para preencher as 159 vagas que a empresa tem em aberto.

A diretora procura um equilíbrio entre as competências técnicas-formais e as características comportamentais e quando a pergunta é “o que vale mais?”, responde que é o conjunto. Visão semelhante tem Rita Mendes, diretora-coordenadora de Formação & Desenvolvimento Organizacional da empresa de gestão de recursos humanos RHmais, para quem é fácil perceber o potencial comportamental de um candidato quando as empresas têm bem delimitados os seus objetivos. A RHmais tem 100 para preencher e sabe o que procura. “Queremos profissionais com capacidade de comunicação e aprendizagem, dinâmicos, capazes de se adaptar e de gerir situações de stress, orientados para a qualidade e para o cliente, com capacidade de iniciativa, positivos e com um bom quociente emocional”. Se dúvidas houver em relação ao potencial de um candidato nestas áreas, as quatro fases que compõem o processo de seleção da empresa servirão para as dissipar.

A ambição do talento

Entre a cadeia de fast-food McDonald’s, a consultora Mind Source e as tecnológicas Blip, KCS IT, Gatewit e Bold International também há mais semelhanças do que diferenças, em matéria de recrutamento.

Em qualquer uma das empresas os processos são exigentes, rigorosos e obrigam os candidatos a demonstrar o seu talento em várias etapas. Sejam juniores ou seniores, para entrar em qualquer uma destas empresas há que mostrar talento e competência, mas há também que ser “a peça dourada do puzzle”, aquela que faz a diferença e completa uma equipa que se quer de sucesso. “Para encontrarmos o melhor dos candidatos damos especial atenção às competências técnicas, mas também às soft skills, como a visão crítica e a criatividade para desenvolver soluções inovadoras”, explica Francisco Lopes da Fonseca, CEO da Mind Source. Porque, afinal, o que leva uma empresa a recrutar é a convicção de que aquele colaborador fará a diferença no contexto do negócio.
Sofia Mendoça, a diretora de Recursos Humanos da Sistemas McDonald’s Portugal, aplica a mesma estratégia sempre que contrata. A cada ano, a empresa integra uma média de 300 novos colaboradores apenas nos restaurantes cuja gestão não depende de franchisados. A batalha pela captação e retenção de talento na empresa tem sido longa, mas nos últimos anos a política delineada por Sofia Mendoça gerou resultados. A imagem da empresa como empregador mudou e a taxa de retenção de colaboradores também. “Atualmente registamos uma taxa de 30% de rotação nos funcionários. Há dez anos, era 90%”, explica a diretora, salientando a importância da seleção dos melhores, mas também a melhoria do investimento da marca nos seus quadros.
No universo das tecnológicas, a forte concorrência obriga a um detalhe acrescido no processo de seleção e nas competências exigidas. Carla Carvalho, a diretora de RH da Gatewit, Sofia Reis, senior operations manager da Blip, Cátia Silva, HR manager da Bold International e Vanessa Barreira, diretora-executiva da KCS iT, estão em perfeita sintonia nesta matéria: hoje, um excelente especialista em TI não pode ser só tecnicamente bom, tem de destacar-se pelas competências relacionais e emocionais.

80% estão a contratar

Entre as empresas que este ano integram o ranking da Exame, a tendência é para a contratação (80%) ou manutenção (13%) dos postos de trabalho atuais, ao longo do primeiro semestre do ano. A análise às intenções de recrutamento, realizada pela Exame, aponta para o reforço de quadros em áreas-chave, como os departamentos comerciais, administrativos ou de operações, mas também das áreas técnicas, de produção ou tecnológicas, que continuam a gerar inúmeras oportunidades.

Nestas contratações, o foco das empresas está centrado em perfis mais juniores ou estagiários, mas também em quadros experientes. Cerca de 10% das organizações tencionam contratar para funções de direção ou chefia. Apesar do cenário nacional em matéria de desemprego, entre as 100 Melhores Empresas, 53% preveem enfrentar alguma dificuldade na missão de atrair para as suas equipas os melhores talentos. As razões apontadas são, maioritariamente, as qualificações técnicas desadequadas e a falta de competências comportamentais, para a exigência da função.
A duração dos processos de seleção também está mais demorada, fruto da pressão crescente para recrutar de forma cirúrgica e certeira reduzindo as hipóteses de “erros de casting” e os custos elevados que aportam às organizações. Em média, para carimbar o passaporte de entrada numa destas empresas, são necessárias três a cinco entrevistas eliminatórias, um extenso rol de testes e provas de desempenho.
Tudo em prol da excelência que começa logo no momento da candidatura.

Competências mais valorizadas pelas Melhores para Trabalhar

Os conhecimentos técnicos e o domínio das ferramentas tecnológicas são importantes, mas no momento de contratar já não chegam.

Os recrutadores procuram cada vez mais um mix de competências comportamentais que fazem toda a diferença no contexto empresarial

CAPACIDADE DE GESTÃO DE CONFLITOS

Nada pior para minar o sucesso de uma empresa e a sua orientação para os resultados do que um ambiente interno de conflito. Os recrutadores tendem a excluir das suas equipas os potenciadores de conflito e promover quem demonstra saber gerir opiniões divergentes.

ORIENTAÇÃO PARA SOLUÇÕES

Simplificar é o grande mandamento das organizações atuais, em todas as áreas funcionais. Quem contrata procura perfis que criem soluções, e não gerem de problemas.

Desligue o seu complicador!

COERÊNCIA PROFISSIONAL E RELACIONAL

O trabalhador perfeito tem de combinar a excelência técnica e o desempenho exemplar das suas funções, como uma ótima capacidade relacional e humana, com a sua equipa e com os clientes. Em empresas de excelência não há lugar para os chamados ‘bicho-do-mato’.

RESISTÊNCIA AO STRESS E ATITUDE POSITIVA

Se sonha com um emprego imune ao stress, está na conjuntura errada e, provavelmente, no país errado. Organizações globais têm desafios na mesma escala e precisam de perfis rápidos, práticos, positivos e eficazes na sua gestão quotidiana.

ESPÍRITO COLABORATIVO E PAIXÃO PELO QUE FAZ

Equipas coesas, sintonizadas nos objetivos do negócio e profissionais apaixonados pela sua carreira ou área de atividade fazem toda a toda a diferença numa conjuntura de adversidade.

Para os recrutadores, um bom trabalhador é o que encara a empresa como se fosse sua.

EMPREENDEDORISMO E PROATIVIDADE

Autonomia, capacidade de iniciativa e decisão, orientação para a inovação e para uma busca constante de soluções que aportem valor ao negócio são características cada vez mais valorizadas nas organizações modernas, habituadas a competir a uma escala global.

AS 15 MAIORES SÃO RESPONSÁVEIS POR 2390 EMPREGOS ENTRE 2827 VAGAS

Empresa Vagas a criar

 

1 Teleperformance 963

2 RE/MAX 600

3 PwC 200

4 Vila Vita Parc 159

5 RH Mais 100

6 Sistemas McDonalds Portugal 60

7 Mind Source 60

8 Blip 40

9 KCS IT 30

10 Bold International 30

11 Gatewit 30

12 TLCI2 30

13 Conduril Engenharia 30

14 InnoWave Technologies 30

15 PHC Software 28

 

Metodologia: a Exame inquiriu as 100 empresas em janeiro de 2014. As vagas correspondem aos próximos seis meses.

Fonte: Empresas

 

ENTREVISTA DE EMPREGO

Prepare-se para estas perguntas

Conquistar um lugar numa das melhores empresas para trabalhar exige, na maioria dos casos, ultrapassar um minucioso e cirúrgico processo de recrutamento que compreende várias etapas de seleção, múltiplos desafios de equipa e inúmeras entrevistas. É nesta última fase que os recrutadores são mais criativos. Se acha que já lhe perguntaram de tudo numa entrevista de emprego, é porque nunca tentou integrar a equipa de uma das 100 Melhores Empresas para Trabalhar.

 

“Qual o grau de incomodidade que lhe causa o uso de gravata e até de fato?”
PwC num processo de recrutamento para uma função de consultoria.

 

“Como reagiria perante um confronto de ideias com o cliente, onde este defendesse valores diferentes dos seus ou da firma?”
PwC num recrutamento para a mesma função para a mesma função.

 

“Pode descrever, por favor, quais são os seus hábitos de higiene pessoal quando entra na cozinha, quando sai da cozinha e, essencialmente quando vai à casa de banho?”
Vila Vita Parc num recrutamento colaboradores para a equipa de cozinha.

 

“Perante determinadas catástrofes sociais, considerando que seria o juiz, que pena atribuiria ao arguido?”
Gatewit, para recrutar perfis ligados à área tecnológica.

 

“Com que idade aprendeu a nadar?”
Blip, para perfis relacionados com tecnologia, como desenvolvimento web e mobile.

 

“O que é que acontece no motor de busca Google quando eu escrevo a palavra ‘Lisboa’ e dou ‘ENTER’?”
Bold International, para as funções de IT.

 

“Na avaliação que faz de si, considera-se mais um caçador ou um recoletor?”
Tecnológica Dell, a nível internacional.

Fonte: Expresso

Comentários

comentários