henrique granadeiro
Responsabilidades
O presidente demissionário da PT assume responsabilidades sobre os investimentos, mas apenas relativamente a 200 milhões de euros. Granadeiro “assume sobre si a responsabilidade de tudo o que se passou”, segundo a acta da reunião de 10 de Julho do conselho de administração, citada no relatório de auditoria. Granadeiro acrescentou ainda que “tinha sido ele próprio que tinha instruído o administrador Luís Pacheco de Melo para ir ao BES resolver o tema e contratar a operação”.
PT não queria investir
O mesmo relatório refere que a PT, inicialmente, não queria realizar esse investimento, “por ter necessidade de assegurar a curto prazo a disponibilização dos fundos necessários ao cumprimento dos compromissos financeiros assumidos” na fusão com a Oi. Terá sido Amílcar Morais Pires, CFO do BES e administrador não-executivo da PT, a insistir na “renovação das aplicações”.
À espera da auditoria da PwC
Granadeiro renunciou aos seus cargos na PT devido às aplicações na Rioforte e tem sido apontado como o responsável. Mas a auditoria agora revelada mostra que o ex-presidente da PT não tinha total conhecimento. Granadeiro já tinha deixado essa pista, ao dizer, na carta de demissão, que convivia bem com os seus actos “mas não com os encargos e responsabilidades dos outros”. E mostrou-se confiante nos resultados da auditoria pedida à PwC. Granadeiro, aliás, assumiu ter sido “surpreendido com a situação de incumprimento generalizado” do GES.
Zeinal Bava
Quadros-resumo
Zeinal Bava recebia os quadros-resumo (‘tableaux de bord’) com as aplicações financeiras da PT. Até Julho de 2013, altura em que Bava saiu da PT, “as aplicações de excedentes de tesouraria em papel comercial nunca foram expressamente referidas e individualizadas”, sendo todas referidas como “Depósitos BES”, segundo o relatório de auditoria. Bava continuou a recebê-los depois disso mas só a 2 de Julho de 2014, depois da possibilidade de ‘default’ ser tornada pública, é que estes quadros “passaram a evidenciar tais aplicações”. O que significa que, oficialmente, Bava não sabia que os investimentos estavam a ser feitos em papel comercial da Rioforte.
Desconhecia aplicações
Bava veio a público garantir que não tinha conhecimento das aplicações feitas na Rioforte. Mas alegados e-mails enviados por Ricardo Salgado indicam o contrário. Em reacção, a Oi veio reafirmar que nem o presidente-executivo nem o ‘chairman’ tinham conhecimento da compra de papel comercial.
Incluído e retirado das actas
As actas das reuniões do conselho de administração da PT mostram, segundo o “Expresso”, que Rafael Mora, da RS Holding (dona do Económico) quer esclarecer que os responsáveis da Oi, incluindo Bava e o administrador-financeiro Bayard Gontijo, tinham conhecimento da operação. É Paulo Varela, da Visabeira, que pede para que Luís Pacheco de Melo, administrador-financeiro da PT, diga de forma clara se a Oi sabia ou não. Mas Pacheco de Melo apresentou várias versões. Primeiro, incluiu Bava e Gontijo e apontou que “após a transferência dos activos só não sabe quem não quer ver”. Depois, pediu para alterar a acta para excluir o CEO da Oi, pedido que foi negado. E, por fim, fez uma declaração para acrescentar à acta dessa reunião, retirando a palavra CEO.
pacheco de melo
Criticado pela auditoria
Pacheco de Melo é o maior visado na auditoria interna da PT. A comissão de auditoria considerou que, apesar da delegação de poderes em vigor, os montantes em causa e “as implicações de qualquer eventual incumprimento na prossecução da fusão” deveriam ter levado a que a comissão executiva e conselho de administração fosse informado, o que não aconteceu. “Teria sido da mais elementar prudência que o acordo de renovação e reforço de tais aplicações não tivesse sido dado pelo CFO sem a obtenção de aprovação expressa pela comissão executiva e, seguidamente, pelo próprio conselho de administração”, lê-se no documento.
Fusão obrigava a cuidado
A auditoria frisa ainda que, tendo em conta o aumento de capital da Oi no âmbito da fusão entre as duas operadoras, “deveria ter havido um especial cuidado em não perturbar a situação de tesouraria da PT, assegurando a capacidade de cumprir este compromisso”.
CFO conhecia quadros-resumo
Tal como Zeinal Bava também Pacheco de Melo recebia os quadros-resumo. Estes, desde Julho de 2013 que não eram entregues à comissão executiva mas “continuaram a ser preparados e distribuídos, como habitualmente também a intervalos irregulares, a um conjunto de responsáveis da PT, em que designadamente se incluíam Zeinal Bava e Luís Pacheco de Melo, não constando dessa lista de distribuição qualquer outro membro da Comissão Executiva”.
Processo em curso
O administrador-financeiro da PT poderá ser alvo de um processo criminal interposto pela ATM, a associação que representa os accionistas minoritários da PT. Todas as equipas de gestão desde 2001 serão alvos de uma acção popular.
Fonte: Económico