O governador do banco central da Nigéria, Lamido Sanusi, foi suspenso por querer saber onde param 14,5 mil milhões de euros provenientes das receitas do petróleo.
A ordem de suspensão partiu do presidente nigeriano Goodluck Jonathan devido à alegada “má conduta” do banqueiro, que acusou a companhia petrolífera pública, a Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC), de desviar o dinheiro do total de 50 mil milhões de euros de receitas de mais de um ano: de janeiro de 2012 a julho de 2013, segundo a BBC.
A favor de Lamido Sanusi pesam as suas credenciais impecáveis. Desde a sua nomeação, em 2009, que o banqueiro iniciou um processo de reformas no sector bancário.
O banqueiro começou a ganhar notoriedade na Nigéria quando, dois meses após assumir o cargo, resgatou nove bancos nigerianos e forçou oito dos seus CEO a demitirem-se, num país onde impera a impunidade e a corrupção. O seu bom trabalho foi reconhecido pela revista especializada Banker em 2010, que o nomeou “Governador de um Banco Central do Ano”.
Por seu turno, a Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC) considera que a acusação não tem fundamento e que ela demonstra “pouco conhecimento das especificidades da indústria petrolífera”.
O próprio banco central também veio a terreiro acusar Lamido Sanusi, afirmando que o seu “mandato foi caracterizado por diversos actos de imprudência financeira… inconsistente com a visão da administração de um banco central”, segundo um porta-voz citado pela Reuters.
Sanusi veio a público defender-se, dizendo estar “orgulhoso” da sua carreira. Questionado sobre se a sua suspensão terá tido por base motivos políticos, o banqueiro deu uma resposta elucidativa. “Não me compete comentar. Eu penso que a resposta para isso é óbvia”.
A Nigéria é um dos maiores produtores mundiais de petróleo e as acusações de Lamido Sanusi ameaçam expor as ligações pouco claras entre a indústria e o governo, num país onde o petróleo é responsável por 80% das receitas governamentais.
Alguns críticos do governador acusam-no de ter uma agenda política própria e de querer colocar em risco a reeleição de Goodluck Jonathan em 2015.
Fonte: Dinheiro Vivo