A organização que representa a indústria está confiante em ganhos adicionais até ao final do ano.

Indiferente aos piores vatícinios, o ouro está a recuperar parte do seu brilho. Depois de ter perdido mais de 28% em 2013 – fechando no vermelho pela primeira vez em 12 anos – o metal volta a negociar em terreno positivo e ofusca mesmo a maioria das classes de activos. Rendeu 9,2% no primeiro semestre, só ultrapassado pela imobiliário norte-americano e por alguns mercados accionistas, predominantemente asiáticos, como Índia, Filipinas ou Indonésia. E, segundo o World Gold Council, que não é no entanto parte desinteressada na análise, estão criadas as condições no mercado para ganhos adicionais ainda este ano.
De acordo com os dados disponibilizados ontem pela organização mundial que representa a indústria, a procura tem sido sustentada pelos bancos centrais, com compras líquidas de 180 toneladas nos primeiros cinco meses do ano, enquanto a procura no primeiro trimestre por parte da joalharia bateu máximos de 2005. Mas também nos mercados financeiros o sentimento parece estar a mudar: “Vemos que o interesse em ouro está a ganhar ‘momentum’. As posições longas no mercado de futuros têm vindo a aumentar gradualmente enquanto as posições curtas foram cobertas. Os ‘exchange-traded funds’ (ETF) estão a registar entradas líquidas nos últimos meses, e a venda de moeda de ouro está a aumentar”, refere o World Gold Council no seu relatório semestral.
2013 foi um ano negro para o ouro, à medida que os mercados accionistas voltavam aos ganhos e os piores receios inflaccionistas – devido à liquidez abundante injectada nos mercados – não se materializavam. No entanto, a organização salienta agora o papel do ouro não só como diversificador de carteiras mas, principalmente, como activo-refúgio. E avança com vários sinais de mercado que considera preocupantes: “Um excesso de obrigações de baixa qualidade (e outros activos de taxa fixa) aumentam o risco no sistema financeiro e a probabilidade de uma correcção no mercado; a volatilidade parece-nos demasiado baixa e pode criar uma oportunidade para os investidores comprarem protecção na óptica de uma gestão prudente”. A volatilidade do preço do ouro está perto de mínimos históricos, enquanto o VIX, que mede a volatilidade implícita do S&P 500, está a níveis de 2007. “Esta baixa volatilidade pode levar a uma atitude complacente que encoraja os investidores a assumir mais risco do que deviam”, explicam os analistas da organização.

 

fonte: Económico

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