JP Morgan já garantiu investidores internacionais interessados em financiar o consórcio do empresário português.
Miguel Pais do Amaral e o norte-americano Frank Lorenzo já entregaram ao Governo uma proposta não vinculativa para a compra de 100% da TAP. A sustentar a oferta, os empresários apresentaram também garantias por parte da JP Morgan, ‘adviser’ financeiro do consórcio, de que estão encontrados os investidores para financiar na totalidade a compra da companhia aérea portuguesa.
O processo de privatização da TAP ainda não foi reaberto mas o Governo tem, desde meados de Agosto, a garantia de que Pais do Amaral, associado em consórcio ao ex-presidente da Continental Airlines, e ao grupo português Barraqueiro vão avançar para a compra da empresa, tendo já assegurado o financiamento necessário junto de um conjunto de investidores norte-americanos e europeus para adquirir a empresa e assumir a dívida. O endividamento da TAP ronda os 972 milhões de euros, dos quais 46% corresponde a locação financeira de aeronaves.
Ao que o Diário Económico apurou, Miguel Pais do Amaral, que tem mantido contactos frequentes com o Executivo, quer por via do gabinete do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, quer através do Ministério da Economia e secretaria de Estado dos Transportes, tem vindo a abordar um conjunto de investidores portugueses que poderão acompanhar a oferta. O processo conta também com a participação do BPI, que se juntou à JP Morgan como ‘adviser’ financeiro. Uns e outros esperam apenas que o Governo defina o modelo de privatização, sendo certo que o consórcio de Pais do Amaral tem como objectivo a compra de 100% do capital da TAP. Contactado, Pais do Amaral não comenta a entrega da proposta.
O consórcio de Pais do Amaral e Frank Lorenzo pretende comprar 100% do capital da companhia, equacionando no prazo de três ou quatro anos a colocação da empresa em bolsa, conforme o empresário português avançou numa entrevista ao “Dinheiro Vivo”. “Estou a entrar na TAP, ou vou fazer uma proposta enquanto promotor de um consórcio financeiro e o objectivo desse consórcio financeiro não é vender a companhia aérea daqui a três ou quatro anos. O objectivo será, isso sim, fazer o IPO [initial public offer]”, afirmou na altura.
Contactado, o Ministério da Economia não comenta a manifestação de interesse de Miguel Pais do Amaral e remete para declarações anteriores dando conta que o processo avançará quando “estiverem criadas as condições necessárias”, o que significa existir mais do que uma proposta para que o processo possa ser competitivo. O Executivo pretende, assim, evitar a situação vivida em 2012, quando apenas o Germán Efromovich, empresário colombiano, chegou à fase final do processo de privatização. A oferta de Efromovich acabaria por ser recusada no último momento, por o empresário não ter entregue as garantias bancárias necessárias para concretizar a compra.
German Efromovich chegou a afastar todo e qualquer interesse na compra da TAP, avançando com a intenção de criar uma companhia aérea de raiz na Europa. No entanto, em Junho, admitiu ao Diário Económico que “o plano está desenhado, mas não vai ocorrer esse ano, porque queremos ver o que vai acontecer”. “Diria que 2014 é um ano de observação, para ver o rumo das coisas”, afirmou. O presidente do grupo Synergy e dono da sul-americana Avianca mantinha, assim, a possibilidade de voltar a olhar para a privatização da companhia aérea portuguesa.
O Diário Económico procurou ontem actualizar os projectos do empresário para o mercado europeu, mas até à hora de fecho desta edição não foi possível obter uma reacção.
Fonte: Económico