Os países lusófonos poderão representar 10% do PIB mundial, dentro de dez ou quinze anos, se os governos se juntarem e apostarem numa verdadeira comunidade económica.

A previsão é do presidente da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP), Salimo Abdula, para quem “nada é impossível se queremos uma CPLP forte e desafiante perante este ambiente de globalização”.

“Temos condições, fomos abençoados, temos recursos naturais de grande dimensão descobertos nos últimos dez anos, temos mão-de-obra jovem e, se nos posicionarmos como deve ser, levando a tecnologia necessária para dar mais-valias às nossas riquezas naturais onde elas existem, podemos transformar a CPLP numa estrela, fazendo o nosso PIB passar de 4% para 10% do total mundial daqui a dez ou quinze anos”, explicou Abdula em entrevista à Lusa.

Uma vertente mais económica para esta comunidade de países com a mesma língua é também o que defende a nova diretora-geral da CPLP, Georgina Mello. “Temos um diamante na mão e ainda não o conseguimos lapidar, mas quando o fizermos vai ser brilhante e uma coisa belíssima”, vaticina, referindo-se ao potencial de uma área que representa 4% da riqueza mundial e que junta mais de 250 milhões de pessoas, mas que ainda enfrenta dificuldades nas trocas comerciais entre os seus membros, por exemplo ao nível do financiamento e dos mercados e tecnologia.

“Há bons projetos, mas não têm acesso a financiamento que existe noutros países, e depois temos abundância de operadores de mercado e tecnológicos nalguns países, ao mesmo tempo que temos carências muito graves noutros”, diz a responsável, sublinhando que é preciso mais integração económica, a começar pelo aprofundamento da circulação de bens e mercadorias nestes oito países.

O segredo para o sucesso, explica a diretora-geral da CPLP, é criar uma “comunidade paralela” àquela em que cada país está inserido regionalmente, seja Portugal com a União Europeia, seja o Brasil com o Mercosul, por exemplo.

Reunidos na semana passada em Maputo, os ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP aprovaram a entrada na organização da Guiné Equatorial. A nova adesão, como membro de pleno direito, foi aprovada como recomendação para a cimeira de chefes de Estado da CPLP, que deverá realizar-se de 20 a 25 de julho, em Díli.

 

Fonte: Dinheiro Vivo

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