“O euro está a um valor demasiado alto”, afirmou esta tarde o chefe do governo francês durante o debate de apresentação do programa do executivo, que será seguido de um voto de confiança no novo governo. Para Valls, o euro forte está a “prejudicar os esforços para melhorar a competitividade”, e arrisca-se a tornar “inúteis” os esforços de redução do défice.
Para atingir o seu objectivo de reduzir o valor da moeda única, Valls disse que tenciona debater “medidas de alívio quantitativo” com o Banco Central Europeu, de modo a aumentar o valor de euros em circulação nos mercados.
Com este anúncio, o socialista Valls entra directamente em confronto com a Alemanha, já que o governo da chanceler conservadora Angela Merkel se opõe a qualquer medida que possa gerar inflação na zona euro, como seria o caso de uma desvalorização do euro.
O primeiro-ministro francês confirmou ainda aos deputados que irá apresentar um Orçamento Rectificativo no início do Verão, o qual será acompanhado de uma redução dos custos do trabalho em 30 mil milhões de euros até 2016. Esta redução passará principalmente pelo fim, a partir do dia 1 de Janeiro de 2016, das cotizações para a segurança social que os empregadores tinham que fazer relativamente a alguém que recebe apenas o salário mínimo nacional, e redução dos valores para as restantes.
O novo primeiro-ministro francês, Manuel Valls, anunciou hoje que tenciona debater com o BCE medidas para fazer descer o valor da moeda única nos mercados cambiais , de modo a estimular as exportações.
“Para os trabalhadores que ganham até três vezes e meia o salário mínimo, ou seja 90% dos assalariados, as contribuições serão reduzidas em 1,8 pontos percentuais no dia 1 de Janeiro de 2016”, disse Valls.
O chefe de governo disse também que pretende “reavivar o investimento”, nomeadamente através da “redução sobre os impostos às empresas industriais”. Neste âmbito, Valls vai eliminar dentro de três anos a taxa C3S, que é paga por 300.000 empresas, e que deve representar “margens suplementares de seis mil milhões de euros” para estas companhias. Já o IRC irá passar a ter uma taxa normal de 28% até 2020, começando as descidas em 2016. Nesse mesmo ano, será suprimida a sobretaxa de IRC que havia sido decidida pelo executivo anterior.
Manuel Valls explicou também que a redução das despesas do Estado em 50 mil milhões de euros que tenciona realizar nos próximos três anos, será “partilhada por todos entre 2015 e 2017”, indo o Estado reduzir os seus gastos em 17 mil milhões de euros, o Seguro de Saúde público em 10 mil milhões e as autarquias em mais 10 mil milhões de euros.
O primeiro-ministro espera ainda “simplificar o sistema fiscal”, suprimindo “os pequenos impostos que rendem pouco” aos cofres públicos. Valls invocou ainda o “pacto de solidariedade” pedido pelo presidente François Hollande para “melhorar as condições de vida dos mais modestos”, sendo que a partir do dia 1 de Janeiro do ano que vem, “os descontos dos salários mais baixos serão reduzidas”, o que permitirá a estas famílias de disporem de um rendimento disponível adicional na ordem dos “500 euros suplementares” por ano, o que representa uma redução das receitas do Estado de “cinco mil milhões de euros até 2017”.