As decisões e a gestão da troika no âmbito dos programas de ajustamento de Portugal, Grécia, Chipre e Irlanda vão ser alvo de inquérito no Parlamento Europeu (PE) e os dirigentes de duas das instituições que comandam as missões externas – Mario Draghi, do Banco Central Europeu, e Olli Rehn, da Comissão Europeia, prometem cooperar com os deputados na referida investigação. O relatório preliminar sobre o tema será divulgado a 17 de dezembro.
Hoje, na discussão do relatório do PE sobre a atividade do BCE em 2012, em Estrasburgo, falou-se sobretudo do ano que vem e de que maneira se pode melhorar a eficácia das políticas do banco central, aprofundar a união bancária e tudo fazer para que o crédito chegue às pequenas e médias empresas.
Draghi insistiu que o BCE e a união bancária só por si não resolvem os problemas de fundo da zona euro e que os países devem continuar a aprofundar reformas económicas para as coisas darem certo.
Durante o debate foi abordada a questão polémica da competência e da transparência da troika nos vários programas de ajustamento ainda em curso.
O documento a apresentar pela comissão de assuntos económicos do PE, da autoria do austríaco Othmar Karas (Partido Popular Europeu) e do francês Liem Hoang Ngoc (Socialistas e Democratas), defende que o ‘modelo troika’ deve dar lugar a um sistema no qual a Comissão Europeia “assuma uma posição central no mecanismo juntamente com os países visados pelo programa”.
A ideia é: “o BCE deve fornecer a sua experiência e o FMI dar aconselhamento quando adequado”.
Ngoc, um dos relatores, defende que “anos de devastação social e económica na Grécia, Portugal, Chipre e Irlanda não podem ficar por explicar e sem serem apuradas responsabilidades”.
Basicamente, os deputados vão pedir mais transparência no processo de decisão da troika, na produção e no uso das previsões económicas na sustentação de políticas de austeridad e na própria interação da troika com o Eurogrupo (conselho dos ministros das Finanças da zona euro), para apurar rsponsabilidades nos erros cometidos e evitar novas falhas graves no futuro.
Em Portugal, como na Grécia, o FMI já admitiu problemas vários no “desenho” dos programas, embora continue a insistir que o caminho da austeridade e da consolidação orçamental é o correto. No CDS, que faz governo com o PSD, também já se fala em ver o que correu mal para corrigir as políticas no pós-troika, em Portugal.
As deputadas europeias portuguesas Elisa Ferreira (PS) e Marisa Matias (BE) também confrontaram Draghi sobre o que pode ser melhorado no atual sistema.
O presidente do BCE prometeu “discutir” essa questão da transparência com a comissão de economia do PE. Olli Rehn, o comissário europeu para os assuntos económicos, presente na sessão, disse que “vamos ter oportunidade de melhorar a transparência” do trabalho da troika e, no seu caso, da Comissão Europeia.
Fonte: Dinheiro Vivo