Sonaecom deverá ser integrada na Sonae. Minoritários têm dúvidas.
A Sonaecom deverá ser integrada na Sonae SGPS, no âmbito de uma reorganização do grupo, soube o Diário Económico.
Segundo fontes próximas à empresa de Paulo Azevedo, o passo seguinte, e caso o lançamento da OPA parcial lançada pela própria Sonaecom, e que representa também a retirada de bolsa da empresa, seja um sucesso, será o de fundir a Sonaecom na Sonae SGPS. Já a arrumação dos activos e dos negócios não está ainda pensada, segundo as mesmas fontes.
A Sonaecom oferece, pelos 24,16% dispersos em bolsa, uma oferta combinada de acções da Zon Optimus (a totalidade da posição directa de 7,2%) e eventualmente dinheiro, que totaliza os 2,45 euros (ver texto ao lado). A operação está avaliada em 216 milhões de euros.
Um dos cenários possíveis após o sucesso da OPA será o de integrar a área de ‘software’ e sistemas de informação (SSI) – que detém empresas como a BizDirect, a Wedo, a Mainroad e Saphety – na Sonae Capital. A área das SSI estava sob a alçada de Claúdia Azevedo, que entretanto transitou para o comando da Sonae Capital. Fontes próximas da Sonae garantem que “a área das SSI faz todo o sentido no universo da Sonae Capital”.
Do universo da ‘sub-holding’ da Sonae faz ainda parte o jornal Público e a participação directa e indirecta na Zon Optimus. Além da participação directa de 7,2% na Zon Optimus, que está a trocar por acções da Sonaecom, a operadora liderada por Ângelo Paupério detém ainda metade da ZOPT, veículo dono de 50,01% da Zon Optimus, tendo como parceira a empresária angolana Isabel dos Santos. Com o sucesso desta operação os actuais accionistas da Sonaecom ficarão com uma exposição directa ao principal activo: a Zon Optimus.
De resto, o analista José Mota Freitas, da CaixaBI, numa nota de análise emitida ontem, considera que a “Sonae acabará por deter uma participação superior a 90% da Sonaecom e poderá lançar uma oferta potestativa pelas acções sobrantes, deixando o caminho livre para uma futura incorporação das actividades da Sonaecom na Sonae”.
A Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais (ATM) não acredita, contudo, numa elevada adesão na operação. “Acreditamos que por parte dos accionistas minoritários não haja grande adesão à oferta, seja pela incerteza [do rácio de troca] seja, essencialmente, porque o preço de mercado já permite essa saída imediata e realizando liquidez (dinheiro sem troca de acções), beneficiando do mesmo prémio implícito na operação”, diz ao Diário Económico Octávio Viana, presidente da associação de accionistas.
O responsável, aliás, tem dúvidas sobre a aprovação pelo regulador da proposta apresentada, devido “ao elevado grau de incerteza economico-jurídica”, uma vez que o rácio de troca depende da aceitação da oferta. Seja como for, a eventual intervenção da CMVM dar-se-á aquando do registo da operação e respectivo prospecto, já que as linhas gerais comunicadas até aqui não parecem levantar qualquer problema jurídico.
Fonte: Económico