Mais de duas mil empresas concorreram a apoios à internacionalização no âmbito do Compete 2020.

“Gostava de lhes fazer um desafio (…), gostava que em 2015 o calçado português chegasse aos dois mil milhões de euros de exportações”, incitou ontem o vice-primeiro-ministro Paulo Portas, perante os empresários do sector presentes na Micam, feira internacional do calçado, que decorre até terça-feira, em Milão (Itália). O desafio surgiu depois do vice-primeiro-ministro visitar mais de 20 empresas portuguesas presentes no certame e verificar que “stand após stand, exportam mais de 95% do que produzem”.

O calçado exportou no ano passado 1,8 mil milhões de euros, mais 7,7% que em 2013. Certo, é que o sector já preparou um novo programa de promoção externa a aplicar em 2015/16 no âmbito do Portugal 2020, que prevê participação em mais de 70 certames internacionais e um investimento de 16 milhões de euros.

Dentro do Portugal 2020 e concretamente do Compete 2020, Paulo Portas anunciou que mais de duas mil empresas se candidataram até sexta-feira passada a apoios a projectos de internacionalização, num valor global de 130 milhões de euros. O programa tem 70 milhões disponíveis, “o que significa que vamos ter de fazer uma gestão obviamente criteriosa para ter uma base o mais alargada possível”, acrescentou. Estes são os primeiros números do novo Quadro Comunitário de Apoio e “um sinal de confiança” na economia, disse o vice-primeiro-ministro.

Paulo Portas adiantou ainda que as exportações totais de 2014 vão apresentar um crescimento próximo dos 3%, quando incluírem os dados dos serviços – serão conhecidos na próxima semana – e isso “significa que Portugal conseguiu ter em 2014 o seu melhor ano de sempre de exportações”. Portas sublinhou ainda que o crescimento de 0,9% Produto Interno Bruto português em 2014 “significa que pela primeira vez em quatro anos tivemos crescimento económico”, acrescentando que a dívida pública portuguesa iniciará este ano uma trajectória descendente.

Paulo Portas fez questão de visitar o maior número possível das 84 empresas portuguesas que apresentam as suas colecções Outono/Inverno na Micam. Sempre bem disposto – dialogou inclusive em italiano com um cliente de uma empresa portuguesa -, o vice-primeiro-ministro chegou directo de Roma calçado com um par de sapatos da marca de luxo portuguesa Carlos Santos. E não se escusou em admitir que foram “comprados nos saldos”. Já a oferta da Profession Bottier, marca de luxo com fábrica em Santa Maria da Feira e que já calçou o antigo presidente francês Nicolas Sarkozy, entre outros políticos nacionais e internacionais, não teve o sucesso esperado. O par de sapatos enviado para o gabinete de Paulo Portas era um número 41 e o vice-primeiro-ministro calça, afinal, o 42.

 

Fonte: Económico

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