Acompanhando a melhoria gradual do emprego, as dificuldades financeiras abrandaram na generalidade dos países europeus. Incluindo em Portugal, onde a percentagem de famílias pobres que tem de recorrer a dívida ou poupança para pagar despesa corrente é já inferior à média europeia e à que se verificava em 2007.
Entre as famílias portuguesas mais pobres, quase uma em cada quatro ainda tem de recorrer a dívida ou a poupança para cobrir despesa corrente, segundo os dados mais actualizados da Comissão Europeia, relativos ao primeiro trimestre de 2014, publicados nesta segunda-feira, 6 de Outubro, no relatório trimestral da direcção-geral do Emprego.
Em percentagem, isso significa que, no arranque deste ano, 24% das famílias mais pobres (cujos rendimentos se situam no último quartil da distribuição, ou seja, os 25% mais pobres) reportavam viver em “stress financeiro”.
Este valor fica ligeiramente abaixo da média observada no mesmo período na União Europeia (25%), ficando igualmente aquém do registado no ano passado em Portugal (28%) e abaixo dos 31% reportados em 2007, antes do início da crise financeira.
Acompanhando a melhoria muito gradual do emprego, as dificuldades financeiras abrandaram na generalidade dos países europeus onde continuam, porém, a variar numa enorme amplitude: entre os 25% mais pobres, há 8% na Alemanha e 50% em Espanha que têm de recorrer a poupanças ou a dívida para fazer face a despesas do dia-a-dia.
Não obstante constatar uma evolução positiva, Bruxelas adverte que ainda não é claro se continuará a cair a percentagem de famílias que enfrenta grandes dificuldades financeiras, até porque “a recuperação económica que teve início na Primavera de 2013 continua a ser frágil e a evolução do emprego mantém-se marcada pela incerteza”.
O nível de “stress” financeiro – salienta – persiste “bem acima” do da década anterior (25% contra 19% em 2007, entre o quartil mais baixo de rendimento).
“As dificuldades financeiras finalmente aliviaram para as famílias de baixos rendimentos, mantendo-se estáveis ou ligeiramente agravadas para os grupos de rendimento mais elevado. No entanto, cerca de 9% dos adultos em famílias de baixos rendimentos são forçados a incorrer em dívida e outros 15% têm de mobilizar poupança para cobrir as despesas correntes, em comparação com 4% e 11%, respectivamente, para o total da população”, acrescenta o relatório da Comissão.
O “stress financeiro” é um indicador que a Comissão passou a acompanhar mais de perto por permitir tirar mais rapidamente conclusões sobre como estarão a evoluir as condições concretas de vida dos europeus.
Fonte: Negócios