Estudo do Instituto Internacional de Finanças mostra que as PME portuguesas pagam juros 4 a 6 pontos percentuais mais elevados do que as empresas da Alemanha.

As pequenas e médias empresas (PME) da periferia da Zona Euro pagam o triplo das taxas de juro cobradas em empréstimos bancários, comparativamente às PME alemãs, de acordo com um novo relatório sobre as condições de crédito na Zona Euro, citado pelo Financial Times.

A subida do custo dos empréstimos e as maiores restrições na concessão de crédito – legados da crise financeira e da repressão regulamentar sobre o capital dos bancos – estão a deixar “famintas” as PME, de acordo com o relatório da autoria do Instituto de Finanças Internacionais (a maior associação de bancos do mundo) e da consultora Bain & Co.

“As PME na Europa estão famintas do crédito necessário para alimentar a criação de emprego e o crescimento económico”, diz John Ott, sócio sénior da Bain, citado pelo Financial Times. As pequenas e médias empresas da Europa são responsáveis por dois terços do emprego em toda a região.

De acordo com o relatório, as pequenas empresas da Irlanda, Itália, Espanha e Portugal estão a pagar mais quatro a seis pontos percentuais de juros pelos empréstimos bancários do que as congéneres alemãs.

O diferencial é assim muito mais elevado do que sugerem os dados do Banco Central Europeu (BCE). Os últimos dados do BCE mostram que os países periféricos do euro pagam entre 1,5 e 2,5 pontos percentuais a mais do que os 3% da média alemã para empréstimos inferiores a um milhão de euros.

O relatório, que será publicado à margem da cimeira do Fundo Monetário Internacional, na sexta-feira, mostra ainda que o novo crédito bancário às PME em toda a periferia do euro caiu para metade nos últimos cinco anos. O caso mais grave é o irlandês, onde o crédito bancário caiu 82%.

O relatório do Instituto de Finanças Internacionais sublinha ser necessário que cada país elabore a sua estratégia para melhorar o fluxo de informações acerca das PME, num projecto coordenado pela Comissão Europeia.

 

Fonte: Negócios

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