O OJE ouviu alguns dos principais players a operar no mercado nacional em seguros e fica, desde logo, o denominador comum: ainda longe de afastar das decisões a possível redução de custos, as PME pretendem alargar a sua carteira de seguros.

Há muito que assegurar apenas pessoas e bens não é suficiente e as PME sabem-no bem. Com a internacionalização como principal pano de fundo para o desenvolvimento, procura e oferta de seguros mostram uma clara adaptação.

Há preocupações emergentes entre as PME portuguesas no que a riscos diz respeito. Receios que nascem de duas áreas que se agigantam em matéria de gestão: por um lado, o mundo digital e a crescente dependência dos recursos e soluções tecnológicas e, por outro, todos os riscos que encerra esta nova vaga de procura de rotas comerciais pelo mundo fora.

O OJE ouviu alguns dos principais players a operar no mercado nacional em seguros e fica, desde logo, o denominador comum: ainda longe de afastar das decisões a possível redução de custos, as PME pretendem alargar a sua carteira de seguros: e a oferta, atenta, mostra estar à altura das novas necessidades.

Estamos assim diante de um cenário que Nelly Pinto, diretora e responsável pela distribuição Norte da AIG, descreve como sendo  de “permanente mudança que alterna momentos de expansão exuberante com períodos de crise profunda” e do qual as empresas mostram estar cientes. “Por cada oportunidade surge um novo desafio, as empresas adotam medidas de prevenção e mitigação da sua exposição ao risco”, assegura. “De facto, administradores, diretores e gestores em geral, consideram que existem diversos riscos a múltiplas escalas que devem estar preparados para enfrentar nas suas operações, nomeadamente, riscos cibernéticos, danos patrimoniais, terrorismo, acidentes de trabalho, falha no fornecimento de energia, risco de investimentos e aplicações, entre outros”.

Quanto à internacionalização, considera que é neste contexto que as empresas necessitam “das melhores soluções para garantir a atividade, património e o seu maior bem ativo – os colaboradores”. Para tal,  acrescenta, o mercado segurador tem vindo a desenvolver soluções à medida, que vão desde os seguros de Responsabilidade Civil ou Exploração, Profissional, Ambiental e D&O até aos pessoais, viagem e de expatriados. Para Nelly Pinto, questões como o crescimento da economia digital, as regulações locais, forma e prazos de pagamento, a estabilidade política, social e económica do país de eleição são igualmente fatores críticos de sucesso. “Hoje, tudo pode ser prevenido. Este pode ser o maior trunfo dos empresários e a diferença entre sucesso e fracasso. Se internacionalizar leva à valorização, reduzir riscos contribui em muito para esse fim”, conclui.

Na leitura da Eurovida e Popular Seguros, as PME procuram soluções cada vez mais adequadas à sua dimensão e atividade económica que lhes possam dar garantias e segurança tanto ao nível da proteção do património como na área da responsabilidade civil ou dos seguros pessoais, razão pela qual a seguradora disponibiliza,  precisamente, uma gama de soluções completa no âmbito da proteção pessoal, patrimonial e específica para as PME. Para esta seguradora, é fundamental “que as empresas tenham consciência de que a redução de custos na área dos seguros poderá conduzir, por razões alheias à própria vontade, a desfechos catastróficos para a sua própria sobrevivência, em caso de ser atingida por um sinistro grave”.

Considerando que uma “boa” carteira de seguros pode, de  facto, contribuir para o sucesso de uma PME, salienta não existir propriamente uma solução de seguros única e, por isso, o mercado segurador ajusta a oferta disponibilizando um conjunto de coberturas mais ou menos alargado em face da estratégia e posicionamento. Assim, complementando a subscrição dos riscos tradicionais, a empresa tem assistido a uma “progressiva subscrição” de outros contratos que visam a proteção financeira dos ativos ou mesmo as responsabilidades que possam ser imputáveis aos empresários e ainda, a título de benefícios, os seguros de saúde, poupança ou investimento.

António Carvalho, direção de design e gestão de produtos da Liberty, responsável por empresas e negócios especiais, assegura que é cada vez mais frequente empresários e responsáveis preocuparem-se com outro tipo de riscos que possam afetar a atividade ou património, transportes ou proteção de bens em caso de catástrofes naturais. E também começam a ser procurados outro tipo de garantias: “particularmente em determinados nichos de mercado, com a necessidade de ver salvaguardados riscos relacionados com o uso da internet, o denominado ciber risco”. Diante da lógica de poupança das PME, que as leva a equacionar a redução de custos e a optar muitas vezes por anular ou não subscrever apólices de seguros não obrigatórios, António Carvalho afirma ser “fundamental que as empresas tenham consciência de que a redução de custos na área dos seguros, poderá conduzir, por razões alheias à própria vontade, a desfechos catastróficos para a própria sobrevivência, em caso de sinistro grave. “É por isso importante que os responsáveis tenham presentes quais os riscos envolvidos e que transfiram para uma seguradora todos esses riscos, porque só assim vêm garantida a continuidade do negócio face a um qualquer sinistro”, conclui.

O responsável dá ainda nota de que há setores específicos do tecido empresarial, e das pequenas e médias empresas em particular, que, fruto da internacionalização e dos compromissos assumidos com o mercado, mostram grande disponibilidade para subscrever apólices de seguro que lhes garantam minimizar eventuais constrangimentos financeiros em caso de sinistro.

Confirmando também o cenário em que as PME dão prioridade ao cumprimento dos requisitos legais à proteção mínima dos ativos físicos e colaboradores, Jorge Neto, área de Subscrição da CA Seguros, aponta o facto de, face às fortes restrições colocadas ao consumo interno, a grande maioria das PME ter sido forçada a repensar os modelos de negócio e canais de distribuição, sendo que, nos últimos anos, a estratégia mais adotada é a internacionalização. E, por esta via, as PME tentam encontrar parceiros que lhes garantam volume de escoamento. Por uma questão de maturidade desses mesmos mercados, o nível de “security” que impõem aos fornecedores levam a que as PME procurem soluções “mais robustas”. “Verifica-se uma preocupação crescente na proteção dos bens produzidos/fornecidos ao longo de toda a cadeia de distribuição, normalmente através de apólices de responsabilidade civil com cobertura de recolha de produtos ou similares, mas também o aumento da preocupação com clausulados que são comercializados em Portugal, se são válidos e adequados aos riscos existentes além-fronteiras”, esclarece.

Para Jorge Neto são evidentes as alterações no segmento das PME, “cada vez mais esclarecidas e mais focadas nas suas reais necessidades”. No entanto, afirma que ainda persiste uma visão de que os seguros são um encargo e, por isso, devem procurar-se soluções de preço mais reduzido, sem dar muita atenção a clausulados e níveis de proteção aplicáveis. “Por estes motivos ainda existe um longo caminho a percorrer, quer do lado dos clientes, quer do mercado segurador”, conclui.

Da experiência da Allianz no mercado nacional, fica-nos a certeza de que, apesar de haver uma maior sensibilização, sobretudo ao nível das médias e grandes empresas, o mesmo não se verifica ainda nos pequenos negócios. “O preço continua a ser o fator determinante nestes casos, o que leva muitas vezes à não contratação de coberturas adicionais como fenómenos sísmicos”, frisa Teresa Brantuas, diretora de produto. Quanto ao que mais preocupa as PME atualmente, a responsável dá nota de que lidera a cobertura dos seus interesses em mercados externos, onde se estão a instalar, tanto no que diz respeito a património como em matéria de responsabilidade. Os planos de benefícios para colaboradores tomam também especial relevância como complemento a salários, com especial destaque para o seguro de saúde, que tem benefícios imediatos e significativos no enquadramento atual.

A vasta experiência da Generali na relação com as PME leva-a a concluir que existe uma crescente focalização nas soluções de seguros que garantam maior simplificação de processos e maior produtividade. E é naturalmente neste sentido que a oferta da Generali contempla tanto soluções modulares para setores específicos, como soluções “taylor made” para empresas cujas necessidades requerem uma concreta adequação ao quadro de coberturas, capitais e serviços. Segundo fonte oficial da empresa, a leitura que fazem da atualidade passa por constatar que as PME continuam muito focadas no cumprimento das suas obrigações legais. Contudo, não podendo, descurar o fator custo, “têm efetuado um enorme esforço em complementar a atividade com a aposta nos mercados externos, e este novo posicionamento, mais criativo e inovador nos modelos de gestão, tem obviamente reflexos ao nível dos seguros”. Para a Generali, no sucesso das PME, mais relevante do que uma “boa carteira de seguros” é a “sua opção em termos de suporte e serviço de valor acrescentado”. “O empresário, além da perceção das diferenças que melhor adequam cada oferta à necessidade do seu negócio, deverá, acima de tudo, assegurar relações sustentadas com parceiros de negócio de reconhecida capacidade e profissionalismo”, frisa. As PME não podem descurar fazer a correta avaliação dos riscos de negócio e contratar seguros que assegurem a sua sustentabilidade.

Crédito. Quando um seguro pode ditar o sucesso da internacionalização

Particularmente sobre o financiamento das PME, sobretudo das exportadoras, Paulo Morais, regional manager da Crédito e Caución em Portugal, lembra que temos vivido tempos em que exportar se tornou um desígnio nacional e que são cada vez mais as PME  a lançar-se nos mercados externos.

“Na sua grande maioria, estas exportações são efetuadas concedendo ao cliente crédito comercial, o que, obviamente, comporta riscos acrescidos, principalmente quando falamos de mercados desconhecidos”, afirma o responsável. Segundo o especialista, grande parte das PME recorrem frequentemente a financiamentos de apoio às exportações junto da banca comercial e, nesta perspetiva, quer seja para restringir o risco de crédito associado à exportação ou para dar conforto à entidade bancária financiadora, “o seguro de crédito sobressai como um instrumento fundamental, não só para minimizar o impacto negativo que um não pagamento possa significar na tesouraria e na solvência de uma empresa, mas também dar conforto a estratégias de internacionalização de sucesso”.

Da análise de Paulo Morais a esta temática dos seguros para PME, evidencia-se o facto de constatar uma “evolução muito positiva da gestão do risco na atividade empresarial” mas que, em sua opinião, não será ainda suficiente e por isso afirma “ao nível das PME ainda há muito para fazer. Tem que existir uma maior consciencialização da importância estratégica que os seguros têm para o desenvolvimento harmonioso da atividade das empresas”.

A vida útil das empresas, principalmente aquelas que têm sucesso, está sustentada numa gestão competente e eficiente dos diversos riscos inerentes às diversas fases da atividade realizada pelas empresas, procurando incessantemente minimizar os impactos negativos que vão surgindo. “Desta forma, considero fundamental que as empresas comecem a pensar nos seguros e na gestão dos riscos como um investimento fundamental no dia a dia das empresas e não como um custo”, frisa ainda.

Sobre a importância que pode assumir uma “boa carteira de seguros” no sucesso de uma PME portuguesa, Paulo Morais defende que fará sempre a diferença, seja qual for a dimensão da empresa, e não exclusivamente nas PME. Considerando que, em muitas circunstâncias, não se conseguem eliminar todos os riscos associados à atividade económica das empresas, sublinha que será sempre possível minimizá-los, no sentido de evitar danos e prejuízos que ponham em causa a sustentabilidade das empresas.

“A diversidade de riscos que as empresas enfrentam é tão grande que não basta somente ter uma boa carteira de seguros. É também necessário ter e ser acompanhado por profissionais competentes e escolher as seguradoras mais adequadas”, conclui.

Fonte: Oje