Empresas alemãs e francesas são as que mais beneficiam das políticas de ajuda do BCE. Portugal e Espanha prejudicados

Alemanha e França são os dois países que mais ganham com as novas taxas de juro aplicadas pelo Banco Central Europeu (BCE) aos bancos da zona euro. As novas taxas de juro de referência estão num mínimo histórico de 0,5% e fazem parte de uma acção por parte do BCE para baixar custos de financiamento das empresas e estimular a economia de uma Europa debilitada. No entanto, a debilidade europeia parece estar a virar um novo capítulo, e nem todos os países enfrentam as mesmas dificuldades. Segundo dados da Comissão Europeia, são as PME portuguesas, gregas, espanholas e cipriotas as que mais sofrem no cenário europeu, pagando taxas de juro por empréstimos bancários entre os 6% e os 7%, enquanto as alemãs e as francesas beneficiam de uns confortáveis 2% a 3%.

PORQUÊ? O processo é simples. O BCE estipula uma taxa de juro de referência que aplica a todos os bancos europeus. Os bancos europeus estipulam outra taxa para empréstimos às empresas, utilizando a do BCE como referência, mas acrescentando-lhe o chamado spread – ou “custo do dinheiro”. E é aqui que começam a surgir as diferenças entre os países fortes e os países periféricos. O risco é maior nos países sob assistência financeira e por isso as políticas de baixo juro do BCE acabam por beneficiar apenas as economias que já eram beneficiadas.

QUANTO? Os números divergem e acentuam as diferenças numa zona euro cada vez mais fragmentada. Segundo um estudo realizado pelo jornal “Financial Times” a dados do Banco Central Europeu, projecta-se uma diminuição de cerca de 42 mil milhões de euros em pagamentos de dívida por parte das empresas europeias nos próximos cinco anos. Mas o número é quase inteiramente divisível por grandes grupos empresariais alemães e franceses, que estimam poupar 14 e 9 mil milhões de euros, respectivamente. Segue-se Itália, com uma diminuição de 2,3 mil milhões, e Portugal e Espanha, que, em vez de verem as suas empresas a pagar menos, seguem a tendência oposta e estima-se que sejam ainda mais penalizados do que já são.

COMO? Para Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas, parte do problema pode ser resolvido com políticas internas “que permitam que a iniciativa privada tenha um papel mais importante”. Na realidade, os bancos portugueses estão progressivamente menos dependentes dos empréstimos do BCE e começam agora a emitir dívida para se poderem financiar nos mercados. Porém, ainda que a condição da banca e da própria economia nacional seja importante, é essencial que as medidas europeias ajudem as economias periféricas a sair da crise. Para isso não podemos contar com as baixas taxas de juro do BCE. Com eleições para o Parlamento Europeu à porta e uma nova Comissão Europeia, fica a dúvida sobre se haverá uma mudança de rumo que dê vantagem competitiva a quem realmente precisa.

Fonte: Jornal i

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