Os bancos têm liquidez e estão recapitalizados mas as taxas de juro teimam em não descer.

O crédito está caro em Portugal. Já o está há muito tempo. As taxas de juro começaram a subir no início de 2010, em vésperas de resgate à Grécia. E se é verdade que os juros já não sobem – pelo menos consideravelmente – verdade é que também não descem. Ou melhor, desceram em meados de 2012 mas devido à queda dos indexantes, as Euribor. As taxas no novo crédito ao consumo mantêm-se estáveis em torno dos 10%, no crédito à habitação os juros começaram o ano nos 3,28% e seguem agora nos 3,23%.

Os empresários portugueses continuam a pagar as taxas mais altas da zona euro, com excepção dos gregos que vão a caminho do terceiro resgate. E isto apesar dos bancos afirmarem que estão disponíveis para concederem crédito, que têm os problemas de liquidez resolvidos e depois do Banco Central Europeu injectar, a preços de saldo, mais de um bilião de euros nos bancos europeus. Nesse caso, por que não descem as taxas de juro?

A resposta é simples e chama-se “margens”, ou seja, o que os bancos ganham com a diferença de juros entre depósitos e crédito. Por mais caro que seja vendido o novo crédito, o impacto nas taxas médias dos saldos de empréstimos dos bancos é marginal. No crédito à habitação, que vale 46% dos empréstimos, a taxa média do saldo de empréstimos está em 1,47%, apesar de os bancos praticarem taxas acima de 3% desde o início de 2011. Tratando-se de crédito a muito longo-prazo, a substituição dos empréstimos antigos, com ‘spreads’ marginais, pelos novos créditos, caros, é lenta. Cerca de 97% dos empréstimos para a compra de casa em Portugal são concedidos a taxa variável, o que significa que quando os indexantes estão muito baixos, como actualmente, as taxas de juro do banco são também baixas.

Um pormenor que poderia ser menos relevante se os bancos se financiassem no mercado às mesmas taxas. O problema foi a “guerra dos depósitos”, em meados de 2011, que levou o Banco de Portugal a limitar os juros oferecidos. Necessitados de liquidez, os bancos ofereciam taxas médias superiores a 4% em aplicações de longo-prazo. E embora ofereçam menos de metade – em Agosto a taxa média voltou a descer para 2,03% para novas aplicações – continuam a pagar as taxas dos depósitos constituídos há quase dois anos. Por isso, a taxa média dos saldos de depósitos segue em 2,65%. Enquanto os juros das novas aplicações já corrigiram 55% desde o pico, em Outubro de 2011, a taxa dos saldos só caiu 18%.
Os bancos ganham assim pouco com os créditos antigos e pagam muito pelos depósitos antigos. E não é previsível uma forte alteração deste desequilíbrio de “forças” a médio prazo.

Fonte: Económico

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