Saldo da operação de recompra de dívida é de apenas 50 milhões de euros. Analistas falam em falhanço.
Os analistas consultados ontem pelo Diário Económico já não esperavam que o montante da operação de hoje fosse elevado, porque no final de Fevereiro o Tesouro português já tinha recomprado 1.320 milhões de euros em Obrigações da mesma linha.
Mas esperava-se que, pelo menos, fosse possível recomprar cerca de 500 milhões. “Estes negócios são, em parte, pré-combinados
Afinal, a operação ficou-se a penas pelos 50 milhões de euros. “Acho que isto vai ficar na história como a recompra mais invisível da história… É um não evento”, afirma Eleftherios Farmakis, analista do Nomura, que já ontem alertava para as dificuldades que a operação poderia encontrar, uma vez que “as pessoas parecem não estar a querer vender [as obrigações portuguesas]”. Filipe Silva, gestor de dívida do Banco Carregosa, concorda que o valor é muito diminuto. “É uma gota no oceano”, diz.
Portugal está a tentar, através de emissões e de operações de troca e de recompra, amortizar parte da dívida com maturidade no próximo ano, de forma a conseguir uma almofada financeira para o pós-troika, que abra espaço a uma saída limpa do programa de ajustamento. Após a operação de hoje, Portugal fica ainda com 8,15 mil milhões de euros por amortizar.
“Se a intenção [do Tesouro] era amortizar uma grande parte da dívida em aberto para a data em causa aos actuais preços de mercado…falhou”, avança Ricardo Marques, analista da IMF – Informação de Mercados Financeiros. “Há falta de títulos com maturidades curtas e os grandes detentores destes não devem estar dispostos a vendê-los”, explica, acrescentando que “nesta altura a necessidade está mais na compra do que na venda, ou seja, ou bem que o Tesouro paga bem acima do que está a transaccionar no mercado, ou há pouco interesse em entrar nesta operação”.
O factor preço é também a explicação encontrada por Filipe Silva para o valor sem expressão da recompra. “O preço das Obrigações do Tesouro tem vindo a subir, os investidores não têm, nesta altura, interesse em reduzir a sua exposição à dívida pública nacional”, refere.
A explicação bate certo com os números, uma vez que o rácio de cobertura da operação terá sido de 17,8 vezes. Ou seja, os investidores até se ofereceram para vender cerca de 900 milhões de euros, mas o IGCP não terá ficado satisfeito com os termos que lhe foram oferecidos, aceitando apenas recomprar 50 milhões.
Portugal está a dois meses de terminar o programa de ajustamento e o Governo e o Tesouro têm vindo a construir uma almofada financeira que funcione como rede de segurança para o pós-troika e permita dispensar a linha de crédito cautelar do Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE).
Fonte; Económico