Portugal contestou, fez adiar a votação, mas no fim apoiou a aprovação da utilização de fosfatos no bacalhau. Medida que a Associação dos Industriais do Bacalhau (AIB) considera “uma certidão de óbito para as empresas portuguesas de transformação de bacalhau”.  

A medida, que entra em vigor no dia 1 de janeiro de 2014, foi discutida e aprovada na última segunda-feira, em Bruxelas, na reunião do Comité Permanente da Cadeia Alimentar e Saúde Animal. Apenas os representantes de França e Croácia votaram contra. Portugal, que foi desde sempre um adversário desta medida, por considerá-la uma ameaça à salga tradicional e à saúde do consumidor, votou favoravelmente.

A AIB entende que “o Governo português cedeu em toda a linha e não quis defender a posição inicial de total oposição à adição de químicos ao bacalhau destinado à cura tradicional portuguesa”.

A utilização de fosfatos na produção de bacalhau de salga húmida permite a adição difosfatos (E 450), trifosfatos (E 451) e polifosfatos (E 452) e foi solicitada pelos países produtores para preservar a cor branca do peixe.

A Comissão Europeia apoiava a medida, com o argumento de que a adição destes elementos não representa qualquer risco para a saúde humana.

Paulo Mónica, secretário-geral da AIB, diz que “esta decisão vai ditar o fim da indústria de transformação do bacalhau. O Governo não salvaguardou os interesses de Portugal e a menção na rotulagem à existência de polifosfatos de nada serve”.

Para Paulo Mónica, “sem métodos de deteção, fiscalização e penalizações graves, os produtores do norte da Europa, nomeadamente noruegueses e islandeses, vão poder vender à indústria nacional matéria-prima com químicos que impedem que o bacalhau de cura tradicional atinja um teor de humidade de 47%”, implicando custos energéticos “muito acrescidos para conseguir fazer o bacalhau de cura tradicional”.

O eurodeputado Capoulas Santos (PS)considera “incompreensível” o aval do Governo português ao uso de polifosfatos, assinalando que a indústria será a principal lesada, pois os químicos encarecerão o bacalhau (pelos custos energéticos).

Já a eurodeputada Maria do Céu Patrão Neves (PSD) destacou a vantagem da “dupla rotulagem”, por ser “inédita” e por permitir a indicação de fosfatos nos ingredientes; embora quando não existam essa menção poder ir no rótulo, “com mais visibilidade”.

A Deco mantém que o uso dos polifosfatos é “injustificável”.

A Noruega reafirma o compromisso de que “nunca virá bacalhau com fosfatos diretamente para Portugal, destinado à cura tradicional”.

O Ministério da Agricultura não respondeu às questões do Dinheiro Vivo, desde logo, sobre qual o motivo para ter aprovado a proposta.

Fonte: Dinheiro Vivo

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