O Estado conseguiu angariar 750 milhões de euros em obrigações a dez anos de hoje, comprometendo-se com uma taxa de juro de 3,575%, naquele que foi o primeiro leilão de dívida de médio e longo prazo desde a chegada da ‘troika’. A procura excedeu em 3,5 vezes a oferta, segundo dados do IGCP.

Desde Dezembro de 2005 que Portugal não pagava um juro tão baixo para se financiar a dez anos através de um leilão de obrigações. No final de 2005, o Estado pagou uma taxa de 3,436% para colocar obrigações a dez anos, segundo dados da agência que gere o crédito público, o IGCP.
Desde essa data, Portugal realizou mais de vinte leilões em títulos a dez anos. No último, realizado em Janeiro de 2011, teve de acenar aos investidores com uma taxa de juro de 6,716% para colocar 600 milhões. Mas foi em Novembro de 2010 que o Tesouro se comprometeu com a taxa mais elevada da era do euro, 6,806% para colocar 686 milhões de euros em obrigações a dez anos.
Após estes leilões, Portugal fez mais duas operações de financiamento a dez anos, mas com recurso a sindicato bancário. Em Março de 2013 pagou uma taxa de 5,669% para colocar três mil milhões de euros, enquanto em Fevereiro deste ano comprometeu-se com um juro de 5,112% para angariar também três mil milhões de euros.
Apesar das taxas mais baixas da operação portuguesa, Portugal continua a pagar mais que a Irlanda para se financiar. Dublin fez o primeiro leilão de dívida de médio e longo prazo já depois de sair do programa da ‘troika’. A operação foi feita em Março e Dublin pagou uma taxa de 2,967% para colocar mil milhões de euros a dez anos.
A Irlanda foi novamente ao mercado este mês, encaixando mais de mil milhões de euros num leilão de obrigações a dez anos, com uma taxa de 2,917%. Em ambas as operações, a procura quase que triplicou a oferta.
Fonte: Económico