A agência que gere o crédito público concluiu aquela que deverá ser a penúltima emissão de obrigações do ano. O Estado conseguiu colocar mil milhões de euros em títulos com maturidade em 2020.
O IGCP colocou o máximo pretendido, já que contava obter entre 750 milhões e mil milhões de euros com este leilão de obrigações com maturidade em Junho de 2020.
No entanto, a procura foi mais baixa que nos últimos leilões de obrigações. A procura foi 1,8 vezes acima da oferta. Em Junho, o rácio foi de 2,4 vezes num leilão de títulos a dez anos. Em Abril, naquele que foi o primeiro leilão antes do resgate, a procura havia excedido em 3,5 vezes a oferta.
Vários bancos de investimento já antecipavam que o Estado não tivesse problemas em concretizar o leilão. Até porque estão a crescer as expectativas do mercado sobre uma eventual revisão em alta do ‘rating’ por parte da Fitch. A agência tomará uma decisão na sexta-feira e se subir a notação retirará Portugal de um nível visto como lixo pelo mercado.
A taxa da operação saiu ligeiramente abaixo do valor a que as obrigações desta linha negociavam no mercado secundário. Antes do leilão, os investidores estavam a exigir 1,876% para deter estes títulos com maturidade em Junho de 2020.
Antes desta operação, o Estado já tinha conseguido satisfazer os objectivos de financiamento para este ano. No entanto, o IGCP está a aproveitar as boas condições de mercado para pré-financiar 2015, uma estratégia que é vista como positiva pelos analistas.
“Quaisquer emissões adicionais serão vistas mais como positivas do que negativas já que significam um regresso de um acesso ao mercado mais normal e servirão para pré-financiar 2015”, referiram os analistas do Rabobank, citados pela Reuters.
E as perspectivas para a evolução das obrigações do tesouro continuam positivas para alguns bancos de investimento. O Danske Bank, por exemplo, referiu aos investidores que acredita que a dívida portuguesa conseguirá ter melhor desempenho que as pares europeias.
Isso deverá permitir ao Estado realizar mais um leilão de obrigações do tesouro até final do ano, tal como previsto pelo programa de financiamento. O objectivo é entrar em 2015 com uma folga de 6,9 mil milhões de euros em liquidez (valor que não inlcui os 2,5 mil milhões afectos à linha de recapitalização), para tornar menos difícil satisfazer as necessidades de financiamento do próximo ano, estimadas em 15,2 mil milhões de euros.
Fonte: Económico