A OCDE diz que Portugal deve deixar o défice deslizar ligeiramente face às metas nominais combinadas com a troika: este ano, as necessidades de financiamento das finanças públicas devem subir para 5,7% e no próximo ano até 4,6% do PIB, de acordo com as novas projeções da organização.
O estudo sobre as perspetivas económicas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), hoje divulgado, defende que “como a economia continua fraca, é importante permitir que os tetos dos défices se desviem das metas se o crescimento for mais fraco que o esperado, para assim evitar uma espiral negativa entre as condições macroeconómicas e os objetivos orçamentais”.
A folga recomendada pela OCDE aponta para um défice de 5,7% este ano (a troika diz 5,5%, embora o Governo já admita 5,9% por causa da ajuda ao Banif). Em 2014, a organização indica que o deslize elevará o défice até 4,6%, mais seis décimas face à meta de 4% combinada nos memorandos.
Este ano, o Governo, quando Vítor Gaspar ainda era ministro, disse ter tentado negociar uma meta menos ambiciosa para 2014 (4,5%), mas a troika votou contra. Mais tarde, Paulo Portas, já feito vice-primeiro-ministro, viria a insistir no mesmo, mas a troika manteve a posição. A OCDE vem agora dar alguma força ao Governo nesta pretensão.
A organização teme a sério uma espiral negativa e concretiza esse receio nas suas novas contas. A retoma agora estimada para a economia em 2014 é mais fraca do que o esperado pelo Governo, a Comissão Europeia e o FMI. A organização de Paris aponta para 0,4% quando as outras instituições apostam para 0,8%.
Uma das causas para esta perda de gás está, obviamente, relacionada com a nova carga de sacrifícios que vem no OE, com os cortes a fundo no Estado social, medidas que deverão destruir ainda mais riqueza e empobrecer mais gente.
Fonte: Dinheiro Vivo