Fecha uma empresa, abrem mais de duas. Este é o saldo da constituição e encerramento de firmas no ano passado. Desde 2009 que não eram criadas tantas empresas. Desde o mesmo ano que as insolvências não caíam em relação ao ano anterior.
O mundo empresarial português de 2013 teve mais aberturas, menos insolvências e menos encerramentos do que no ano anterior. Este é quadro geral retratado pelo Barómetro Informa D&B para o ano passado.
“Se combinarmos o aumento de constituições de novas empresas com a redução de encerramentos, verificamos que alcançamos a melhor taxa de nascimentos por encerramento desde 2009, ou seja 2,4 novas empresas por cada empresa dissolvida”, comenta, na nota de imprensa enviada às redacções, a directora-geral da Informa D&B, Teresa Menezes. Em 2012, este rácio apontava para 1,7 empresas constituídas por cada uma que encerrou.
Em 2013, foram constituídas 35.296 novas empresas. O número representa uma subida de 12,8% em relação ao ano anterior e corresponde à maior criação de novas firmas desde 2009.
As novas empresas criadas envolveram, segundo a Informa D&B, 46.256 empreendedores, mais 10% do que no ano anterior.
Segundo o mesmo estudo, os serviços, o retalho, o alojamento e a restauração concentraram a maior parte das novas empresas. Como tem acontecido, o Norte foi a região que mais contribui para estas novas constituições.
Olhando para os encerramentos, verificou-se uma quebra de 20% para as 14.505 dissoluções – já que muitos dos encerramentos já ocorreram nos anos anteriores causados pela crise portuguesa. “No mesmo período, as insolvências desceram 7,6%, sendo o primeiro ano a registar um decréscimo desde 2009, tendência que se observou em todos os trimestres do ano”, acrescenta o documento. Em 2013, 5.473 empresas iniciaram processos de insolvência. É o primeiro ano em que as insolvências desceram face ao ano anterior em quatro anos.
Teresa Menezes tinha afirmado ao Negócios, em Outubro de 2013, que existe uma correlação entre o aumento do desemprego e das constituições de empresas. “já que entre a população desempregada surge a iniciativa dessas constituições”.
Além disso, a facilidade com que se consegue abrir uma empresa em Portugal, como com o processo “empresa na hora”, ajuda ao empreendedorismo registado naquele ano, segundo a directora da Informa D&B.
Um outro elemento que justifica a existência de mais constituições, explicado em Outubro pela responsável da especialista em tecido empresarial, é o facto de o capital social mínimo exigido para as empresas ser reduzido.
De acordo com o comunicado publicado esta terça-feira, “o capital social médio destas empresas foi de 1.008 euros”, o que mostra a pequena dimensão das novas empresas. Um dado que é visível tendo em conta que o número de empreendedores (46.256) é pouco superior ao número de novas empresas (35.397). 94% das novas empresas tem unicamente pessoas singulares na sua estrutura accionista.
Fonte: Negócios