Testes de stress são críticos mas levam tempo e não mostram resultados amanhã”, sublinha Angel Gurría.

Portugal, Espanha e Irlanda são um bom exemplo de que as reformas funcionam, mas temos de lhes dar tempo”, defende o secretário geral da OCDE Angel Gurria, numa conferencia de imprensa em Bruxelas. Quando questionado pelo Diário Económico se Portugal deveria incluir já no Orçamento do Estado para 2015 uma aposta no investimento, Gurría foi claro: “Sem investimento não há crescimento no futuro”. Mas também alertou que esse investimento não tem de ser público. “Quem diz que o investimento deve se feito apenas pelo Governo”, pergunta Gurría.

“Os grandes investimentos nas águas, esgotos e até saúde podem ser feitos pelos sector privado e pelas seguradoras se houver uma boa coordenação”, defende. “Isto não alivia o Governo das suas responsabilidades, mas , de facto, já não podemos ter todos esses investimentos a pesar no Orçamento. Já não podemos responder como no passado”, admite. “Quando temos de reduzir o défice o que cortamos primeiro? Infelizmente é o investimento. Fui ministro das Finanças e quando o preço do petróleo caiu brutalmente foi obrigado a cortar o investimento, Não é a resposta certa, mas é rápido e realista”, conta.

Perante a necessidade que países como Portugal têm de reduzir o défice e a dívida acumulada, Gurría sugere uma aposta nas politicas estruturais, que “não são assim tão caras”, como a educação, a inovação, concorrência e flexibilidade tanto do mercado de trabalho como do mercado do produto. O secretário geral da OCDE deixou ainda um recado para o sistema financeiro. Como lidar com o sistema financeiro, pergunta. “Através da regulamentação e da supervisão, nomeadamente através da avaliação da qualidade dos activos ou os testes de stress, que estão a ter lugar. São críticos mas levam tempo e não mostram resultados amanhã”, sublinha. E é aqui que os líderes políticos desempenham um papel importante ao explicar “as medidas que adoptam hoje, mas só têm resultados amanhã”. Gurría frisou ainda que “Portugal saiu da ‘troika’, fez o seu trabalho”, e deixou um elogiou ao trabalho que o Governo e o povo português fizeram.

 

Fonte: Económico

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