Na UE, a taxa de emprego cresceu entre 2002 e 2008 e, depois, corrigiu até 2013. Doze países seguiram a tendência. A Alemanha nem por isso: o emprego esteve sempre a crescer. Portugal registou o comportamento contrário.
Portugal é o único país da União Europeia que, ao longo da última década, registou uma descida consistente da taxa de emprego. De uma percentagem de 74,1% empregada em 2002, o país registou uma queda da taxa até 73,1% em 2008, já a sentir os efeitos da crise financeira global, até chegar aos 65,6% no ano passado.
Esta é uma tendência isolada na União Europeia no que diz respeito à proporção de população empregada entre os 20 e 64 anos. O gabinete de estatísticas europeu, Eurostat, analisou a taxa de emprego das 28 nações do espaço comunitário e dividiu-as em cinco grupos, consoante a respectiva evolução.
Portugal, que em 2002 até tinha a quinta taxa de emprego mais elevada da região, tem um grupo só para si: “Em Portugal, houve uma queda quase contínua desde o início do período”. Em mais nenhum outro país isso aconteceu. O ponto de partida foi elevado mas, neste momento, encontra-se na metade da tabela com taxas mais baixas. Uma evolução que veio acompanhada de um aumento da taxa de desemprego (chegou aos 16,3% no ano passado), nomeadamente nos últimos anos de intervenção externa no país, que obrigou à implementação de medidas de austeridade com forte impacto no emprego.
Alemanha com crescimento do emprego desde 2002
Há países com uma tendência completamente contrária, correspondente a outro grupo: na Alemanha e em Malta, a população empregada cresceu nos últimos dez anos. Também há o grupo daqueles em que houve um avanço da taxa de emprego até 2008 e, depois, uma estagnação. É o caso de quatro países, entre os países a Bélgica e a Polónia. Nove outros países, dos quais a França ou o Reino Unido, verificaram subidas da taxa de emprego até 2008, seguidas de quedas que, contudo, foram depois corrigidas.
Já os restantes 12 países, dos que se destacam Espanha, Itália ou Grécia, viram a sua população empregada entre os 20 e os 64 anos a expandir-se até 2008 mas, desde aí, a taxa tem vindo a estreitar-se. Esta é, precisamente, a evolução que corresponde à média da União Europeia: A taxa de emprego “cresceu de forma estável de 66,7%, em 2002, para 70,3%, em 2008, para depois cair com a crise financeira até aos 68,9%. Desde aí, tem decrescido continuamente até aos 68,3% em 2013”, sintetiza o Eurostat.
Ao longo dos últimos anos, na sequência da crise financeira, as divergências no espaço comunitário agravaram-se, sublinha o gabinete de estatísticas europeu. Em 2010, a diferença entre a mais alta e mais baixa taxa de emprego era de 19,4 pontos percentuais: Suécia, 78,1%, e Croácia, 58,7%. Três anos depois, a distância passou para 26,6 pontos percentuais: Suécia, com 79,8%, e Grécia, 53,2%.