As comparações entre Portugal e Irlanda já se tornaram recorrentes, geralmente em desfavor de Lisboa. Mas há pelo menos um ‘campeonato’ em que os portugueses foram mais expeditos durante a crise: acabaram o ano passado com uma poupança equivalente a 15,7% do PIB, ultrapassando a Irlanda.

Esta taxa da poupança é calculada pelo Eurostat e soma a poupança pública à do sector privado, retirando ao rendimento gerado em Portugal os recursos canalizados para o consumo.

Embora continue na cauda da Europa, Portugal teve a maior taxa de poupança dos últimos dez anos. É agora o quarto país que menos dinheiro põe de lado na Europa, a par do Luxemburgo.

No ano passado, Portugal conseguiu poupar mais do que a Irlanda pela primeira vez desde que começou a crise na Zona Euro. Dublin, que foi também alvo de uma intervenção externa pelas autoridades europeias e pelo FMI, terá ficado com uma taxa de poupança nacional abaixo de 15% em 2013.

Mas o desempenho da economia portuguesa já começou a mudar: nos primeiros meses deste ano já se verifica uma diminuição da poupança. A meio do ano passado o consumo reanimou e, juntamente com as exportações, fez com que a economia voltasse a crescer.

Mais importações

Mas a maior propensão para o consumo fez com que houvesse menos recursos canalizados para poupança, que diminuiu desde então, segundo dados revelados esta semana no Indicador de Poupança APFIPP/Universidade Católica. De acordo com o relatório, a poupança das famílias atingiu um máximo histórico em Julho do ano passado, mas caiu 16% desde esse mês.

O aumento do consumo está também a ter efeitos nas trocas do país, já que a maior parte dos bens consumidos é importada. O Instituto Nacional de Estatística revelou na quarta-feira que o défice comercial aumentou 333 milhões de euros no ano terminado em Fevereiro de 2014, atingindo 2,7 mil milhões de euros. O desequilíbrio agravou-se devido a um crescimento das importações superior ao das exportações (7% contra 5,4%).

 

fonte: Sol

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