O volume produzido no sector da construção continua em queda nas comparações com o ano passado. Ainda assim, os deslizes têm vindo a ser mais ligeiros. Na análise em cadeia, os números da construção são mais positivos e Portugal consegue até superar a média da Zona Euro.

Portugal continua a listar entre os países da União Europeia que regista maiores deslizes no volume produzido na construção. Em Fevereiro, esse comportamento voltou a ser uma realidade. O país marcou a segunda maior descida na União Europeia, embora tenha vindo, nos últimos meses, a marcar quedas mais ligeiras.

O índice que mede a evolução do volume produzido no sector (que inclui a construção de edifícios e de obras de engenharia civil) caiu 11,5% em Portugal em Fevereiro, quando se observa a comparação com o mesmo mês do ano passado.   É a segunda maior quebra neste índice em toda a União Europeia, apenas superado pela Roménia, com uma descida de 14,7%, comprova o comunicado publicado pelo gabinete de estatísticas europeu. Na Zona Euro, o comportamento foi, pelo contrário, positivo, com um avanço de 6,7% enquanto na União Europeia se verificou um crescimento de 5,5% do volume produzido no sector da construção.

Apesar de figurar entre os desempenhos mais negativos da UE (em contraponto com Eslovénia, Hungria e Espanha), a construção em Portugal tem vindo a reduzir a quebra da actividade, já que nos meses anteriores os deslizes ficaram acima de 14%. Os números que têm sido revelados pelo Instituto Nacional de Estatística também têm apontado nesse sentido: a realidade na construção continua a ser de quebra, embora com deslizes menos intensos.   A construção foi um dos sectores mais afectados pela crise da dívida que se vive em Portugal. Os bancos congelaram o crédito, o que impediu a realização de obras. O investimento público também foi travado, dado que o Estado ficou praticamente impossibilitado de assumir novos compromissos com a assinatura do memorando de entendimento, em Abril de 2011.

Nos últimos meses, com os sinais de que a economia nacional está a recuperar, a construção tem vindo a abrandar a tendência de deterioração (que acabou por levar as construtoras a apostar na internacionalização). Neste momento, o Governo definiu vários projectos prioritários de infra-estruturas que poderão envolver a construção de obras públicas.   A melhoria do comportamento na construção é visível na análise em cadeia, que compara o desempenho de Fevereiro com o do mês imediatamente anterior. Na União Europeia e na Zona Euro, o avanço do volume produzido no sector foi de 0,1%. Em Portugal, o número foi mais positivo e fixou-se em 0,9%. Foi o primeiro mês positivo desde Novembro, isto depois de dois meses com quebras superiores a 2%.   No espaço comunitário, o índice da produção na construção verificou as maiores quebras na Eslovénia, Itália e Reino Unido, sendo compensadas pelos avanços na Polónia, Hungria e Espanha.

Fonte: Negócios

Comentários

comentários