Os juros relativos aos empréstimos da troika atingiram os mil milhões de euros em 2012, segundo a agência liderada por João Moreira Rato.
O Estado Português pagou no ano passado um recorde de sete mil milhões de euros em juros. Deste total, mil milhões de euros serviram para remunerar os empréstimos concedidos pela União Europeia e pelo FMI ao abrigo do Programa de Assistência Económica e Financeira, segundo o relatório anual do IGCP divulgado sexta-feira. No final do ano passado, a troika tinha concedido a Portugal empréstimos no valor de 63 mil milhões de euros.
No final de 2012, os empréstimos da troika totalizavam 63 mil milhões de euros. Os financiamentos concedidos pela troika em 2012 tiveram “uma maturidade média próxima de 15 anos e a uma taxa média de três por cento versus cerca de 4 por cento em 2011”, refere o IGCP.
Isto num ano em que a economia portuguesa viveu uma das piores recessões de sempre, com o PIB a afundar 3,2% em 2012, o pior desempenho desde, pelo menos, 1975. A factura com juros subiu cerca de mil milhões de euros no ano passado em relação a 2011, quando se situou em seis mil milhões de euros. Estes valores reflectem o pesado aumento dos encargos com dívida registados nos últimos anos. Em 2007, por exemplo, os juros pagos pelo Estado Português estavam abaixo de cinco mil milhões de euros.
Do total dos encargos financeiros com dívida, os detentores de Obrigações do Tesouro levaram a fatia de leão: 4,66 mil milhões de euros. No final de 2012 o financiamento via obrigações era de 93,6 mil milhões de euros. Já os investidores em Bilhetes do Tesouro receberam juros de 572 milhões de euros.
Por outro lado, os encargos do Estado para fazer face aos juros dos certificados de aforro e do tesouro situaram-se em 303 milhões de euros em 2012, segundo o relatório anual do IGCP divulgado sexta-feira. Foi o valor mais baixo dos últimos anos, reflectindo as baixas cotações das taxas Euribor. O montante aplicado em certificados situou-se em 11,1 mil milhões de euros.
Em 2011, o Estado havia pago 375 milhões para recompensar os aforradores que financiaram o Estado através destes instrumentos. E o valor é bastante mais baixo que os 839 milhões de euros de encargos com as remunerações dos certificados em 2008, ano em que as taxas Euribor dispararam. Para compensar a saída de investidores de certificados de aforro, o governo anunciou em Setembro do ano passado uma melhoria da remuneração destes instrumentos.
Fonte: Económico