Portugal financiou-se em 1,25 mil milhões de euros, através da emissão de bilhetes do Tesouro, tendo conseguido voltar a reduzir os custos. Na emissão a seis meses, Portugal viu mesmo a taxa de juro reduzida para menos de metade da última emissão comparável.
Portugal colocou 1,25 mil milhões de euros em bilhetes do Tesouro, tendo emitido 930 milhões de euros em dívida a 12 meses e 320 milhões de euros a seis meses.
O montante colocado corresponde ao máximo do intervalo previsto pelo IGCP quando a operação foi agendada, na sexta-feira. O intervalo ia de mil milhões a 1,25 mil milhões, comum às duas linhas.
No prazo mais longo, a 12 meses, os títulos foram colocados a um preço que tem implícita uma rendibilidade de 0,602%. Compara com a “yield” de 0,75% registada num leilão realizado no mês passado.
Redução mais acentuada teve o prazo a seis meses, com a taxa a descer para 0,438% contra os 1,041% registados no último leilão comparável. A salientar, aqui, é que esse leilão comparável ocorreu em Junho do ano passado, pelo que o prazo a 12 meses oferece uma imagem melhor da evolução recente dos custos de financiamento do Estado.
“O leilão de recompra de dívida ontem e os leilões de BT desta manhã apontam para a mesma conclusão: os investidores estão interessados em deter dívida portuguesa, quer por toda a conjuntura e pelo risco que baixou bastante, quer também por falta de melhores alternativas de investimento”, aponta Filipe Silva, director de gestão de activos do Banco Carregosa.
A procura superou em 1,68 vezes a oferta no prazo a 12 meses e em 4,63 vezes no prazo a seis meses. “É sempre uma boa notícia haver procura para a nossa dívida”, acrescenta Filipe Silva.
O especialista nota que “arrisco mesmo dizer que, a dois meses de Portugal acabar o plano de resgate, se quisesse emitir Obrigações do Tesouro a cinco ou a 10 anos fá-lo-ia sem dificuldades”. “Há um ano, para mim, era impensável ver a taxa da dívida a 10 anos nos 4,40% e, de facto, é onde nos encontramos neste momento”, remata Filipe Silva.
Fonte: Negócios