Os preços em Espanha recuaram pela primeira vez desde Outubro de 2009. Analistas desvalorizam receios de deflação.
O índice de preços no consumidor (IPC) em Espanha recuou 0,1% em termos anuais em Outubro, o que acontece pela primeira vez em quatro anos, revelou hoje o instituto de estatísticas de Madrid. Em Setembro a inflação havia já desacelerado para 0,3%.
A baixa dos preços fez soar os alarmes em Espanha, perante a possibilidade de a economia cair para uma situação de deflação. Ainda assim, os analistas desvalorizam os dados, considerando que a evolução registada em Outubro é pontual e que o ano terminará com taxas positivas.
A última vez que o IPC registava valores negativos aconteceu em Outubro de 2009, depois de oito meses de preços em queda. Segundo o gabinete de estatísticas, a redução dos preços no consumidor no mês passado deveu-se à subida do IVA no ano passado, à queda dos salários e à competição de preços entre as empresas.
Os mesmos dados mostram que a inflação core, que exclui os alimentos frescos e produtos energéticos, registou uma taxa anual de 0,2%.
“O movimento dos custos do trabalho e dos salários são provavelmente os ‘drivers’ fundamentais. Pensamos que a inflação vai continuar baixa no próximo ano. Não é deflação, mas também não temos uma aceleração do crescimento dos preços”, referiu Sílvio Peruzzo, economista do Nomura.
E acrescentou: “É a combinação da reforma laboral, em que as negociações salariais têm estado descentralizadas em muitos casos, da austeridade, que está a restringir a procura, e do ajustamento no sector privado para restaurar a competitividade”.
Esta semana, o Eurostat publica os dados da inflação na zona euro. A expectativa é que a taxa tenha ficado em 0,7% em Outubro, longe da meta do Banco Central Europeu (BCE) de perto mas abaixo de 2% para garantir a estabilidade dos preços e da economia na região.
Para responder a esta situação de abrandamento do crescimento dos preços, o BCE cortou inesperadamente a taxa de juro de referência para 0,25% na semana passada. Na ocasião, Draghi renovou a promessa de manter os juros baixos por um longo período.
Fonte: Económico