Queda dos preços em termos homólogos acentuou-se em Março, para -0,4%, em boa medida devido à descida mais acentuada da classe de bens e serviços no domínio dos Transportes. A sua variação mensal regressou a terreno positivo.
Os preços em Março caíram -0,4% por comparação com o mesmo mês do ano anterior, acentuando em 0,3 pontos percentuais a taxa de variação, também negativa, que já havia sido observada no mês anterior, revelam dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
A queda homóloga dos preços em Março foi a mais acentuada desde Novembro de 2009. Nesse mês, em que a economia portuguesa estava em forte recessão, o índice de preços no consumidor registou uma quebra homóloga de 0,6%. A economia portuguesa sofreu nessa altura um período prolongado de queda nos preços, com o índice de preços no consumidor (IPC) a registar variações homólogas negativas entre Março e Dezembro de 2009. O índice entrou depois numa trajectória de recuperação, apresentando taxas de variação homólogas acima de 3% no arranque de 2011.
Em termos de variação mensal, o índice de preços no consumidor regressou, porém, em Março a terreno positivo ao subir 1,4%, quando a sua variação havia sido -0,3% em Fevereiro.
Quanto à variação média dos preços dos últimos doze meses medida pelo índice harmonizado, que permite comparações europeias, esta cifrou-se em 0,3% em Março, 0,3 pontos percentuais abaixo da do mês anterior, mantendo-se 0,8 pontos aquém da estimativa do Eurostat para a média da subida dos preços na Zona Euro.
Na Zona Euro a inflação recuou para 0,5% em Março, agravando os receios que a região esteja a caminhar para deflação, o que ameaçaria uma recuperação da economia. Face a estes cenário de inflação baixa, o BCE já admitiu a possibilidade de avançar com a compra de dívida pública e privada, uma medida de política monetária não convencional utilizada pela Reserva Federal para impulsionar a economia.
Entre as classes com contribuições negativas para a variação homóloga do IPC em Portugal, o INE destaca a dos Transportes com uma variação homóloga de -3,1% em Março (quando havia sido de -1,9% no mês anterior). Outros contributos negativos tiveram origem nas classes do Lazer, recreação e cultura e dos Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas que apresentaram em Março variações homólogas mais negativas que no mês anterior, de -1,5% e -0,4%, respectivamente.
Rendas impedem queda maior dos preços
Nas classes com contribuições positivas para a variação homóloga do índice de preços, o INE salienta a da “Habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis”, que registou uma subida de 2,1% ( que compara com 2,3% no mês anterior),” influenciada em grande medida pelo sub-subgrupo das Rendas efectivas pagas por inquilinos de residências principais”.
Bebidas alcoólicas e tabaco, Comunicações e Saúde apresentaram variações homólogos de 2,2%, 2% e 0,8% em Março, respectivamente, abaixo das observadas no mês anterior.
Fonte: Negócios