Pela primeira vez uma empresa chinesa entrou em incumprimento e os analistas dizem que outras se seguirão.
A Chaori Solar Energy Science & Technology tornou-se na primeira empresa a incumprir o pagamento de uma emissão obrigacionista e existem já analistas a classificar o fenómeno como o “momento Bear Stearns” da China.
A empresa, que produz células que transformam luz solar em energia, está a tentar vender algumas das centrais que possui no exterior de forma a angariar capital para pagar aos credores, comunicou hoje o vice-presidente Liu Tielong. O responsável informou que a empresa só conseguirá pagar quatro milhões de yuan (cerca de 470.000 euros) do cupão de 89,8 milhões de yuan que vencem hoje.
O número de empresas chinesas cuja dívida corresponde ao dobro dos seus activos disparou desde a crise financeira global, o que sugere que o primeiro incumprimento em território chinês não deverá ser o último.
O número de empresas cotadas não financeiras cujo rácio de ‘debt-to-equity’ (dívida face aos activos) é superior a 200%, disparou de 163 para 256 empresas, desde 2007, ou seja, 57%. Aquele que já está a ser classificado pelo mercado como um possível “momento Bear Stearns” para a China, poderá levar agora os investidores a reavaliar o risco de crédito das empresas do país.
“Podemos ver outros incumprimentos este ano. E se for uma empresa financeira a entrar em incumprimento poderá originar uma situação extrema, à semelhança do colapso do Lehman Brothers”, comentava Li Ning, um analista de obrigações sedeado em Shangai, em declarações à Bloomberg.
“Haverá mais incumprimentos na China. O próximo acontecerá provavelmente nas indústrias que esgotaram a sua capacidade, como a do aço, dos metais não ferrosos e do carvão. Os investidores privados vão castigar as empresas com dívida elevada, que são as que oferecem maior risco”, adiantava à mesma publicação Qiu Xinhong, gestor de fundos de obrigações.
Para já os investidores parecem estar a olhar para a esta situação pelo lado positivo, o que significa saudar a abertura da China à economia de mercado, onde o Governo parece ter cada vez menos intervenção. Sinais que só serão verdadeiramente testados se a crise de crédito que se vive actualmente na China vier a afectar empresas de risco sistémico.
Fonte: Económico