Medida seria uma das represálias às sanções económicas da UE. Receios de repercussões afundam títulos da Aeroflot na bolsa de Moscovo.
O encerramento do espaço aéreo russo é uma das medidas que o presidente Vladimir Putin pode encontrar na lista de represálias do Kremlin para responder às sanções europeias. “Instrumentos políticos de pressão económica são inaceitáveis. O governo russo já propôs várias respostas às sanções impostas por certos países”, avisou ontem Putin. Segundo o jornal russo ‘Vedomosti’, detido pelo ‘Financial Times’ e pelo ‘Wall Street Journal’, uma destas medidas pode ser a interdição do espaço aéreo siberiano às companhias áereas europeias que tenham voos com destinos à Ásia. A concretizar-se, esta medida seria o fim de um acordo realizado nos anos 70 com a extinta URSS, e que tem permitido às empresas europeias poupar cerca de 22 mil euros por voo em combustível e direitos de passagem, além de reduzir as rotas em quatro mil quilómetros. O cenário teve de imediato impacto na bolsa de Mosocovo. As acções da companhia de bandeira russa, Aeroflot, caíram 5,9% para um mínimo de cinco meses. “Estas restrições serão muito negativas para a Aeroflot, pois recebe ‘royalties’ das empresas estrangeiras pelo direito a atravessar a Sibéria”, afirmou a analista da Otkritie Capital, Irina Stupachenko, à Bloomberg. A analista sublinhou que, só em 2013, os direitos de passagem renderam à transportadora russa 127 milhões de euros, ou 18% das receitas totais. Os títulos da Aeroflot acumulam já perdas de 44% desde o início do ano e no domingo teve de suspender os voos da subsidiária ‘low-cost’ Dobrolet. Bruxelas incluiu esta companhia na lista negra das sanções, ou seja está impedida de voar para a Europa, uma vez que faz a rota Moscovo-Crimeia.
Fonte: Económico