A recuperação económica continua longe de se reflectir na capacidade das empresas e das famílias portuguesas cumprirem com as prestações do crédito.
A recuperação da economia portuguesa está longe de se reflectir na capacidade das empresas e das famílias portuguesas cumprirem com as suas responsabilidades de crédito. A percentagem de devedores em incumprimento continua bem ancorada perto de máximos históricos, e o mesmo acontece com os rácios de crédito vencido tanto de empresas como de famílias.
Segundo os dados ontem publicados pela Central de Responsabilidades de Crédito, existiam no final de Setembro 659.809 famílias com crédito malparado em Portugal. São menos 9.524 famílias face a Junho e correspondem a 15% do total de famílias com créditos concedidos. O valor máximo foi atingido em Junho de 2012, quando 15,6% das famílias portuguesas, que correspondiam a 708.630 agregados, se encontravam em situação de incumprimento. Ou seja, existem hoje menos 48.821 famílias com crédito vencido face ao número máximo atingido.
Recorde-se no entanto, que desde o início de 2013, e até ao primeiro semestre de 2014, foram concluídos mais de 417 mil processos incluídos em PERSI (procedimento extrajudicial de regularização de situações de incumprimento) com regularização do incumprimento. Números que não incluem ainda o terceiro trimestre deste ano, cuja média ronda os 140 mil processos concluídos com sucesso por trimestre. Ou seja, os números apontam para um ritmo mais acelerado de novos incumprimentos por parte das famílias portuguesas face às saídas conseguidas por via da renegociação dos créditos exigida pelo Banco de Portugal. Olhando apenas para os números deste ano, essa realidade torna-se mais óbvia: nos primeiros seis meses foram regularizados, no âmbito do PERSI, 148.926 contratos, entre habitação e consumo. Apesar disso, o número de famílias em incumprimento aumentou em 2.539 agregados até Setembro.
E se o número de famílias em incumprimento já caiu dos máximos atingidos em 2012, o rácio de crédito vencido atingiu em Setembro um novo recorde, em 4,9%, potenciado principalmente pelo malparado na habitação.
Malparado na habitação atinge novos máximos
O crédito vencido na habitação é um indicador com uma carga significativa, já que as prestações da casa são tradicionalmente a última responsabilidade que uma família deixa de cumprir. O rácio de crédito malparado atingiu novos máximos históricos em Setembro, em 2,8%, e o mesmo acontece com a percentagem de famílias em incumprimento, que atingiu os 6,5%. Ou seja, são 150.971 famílias que se encontram com prestações da casa em atraso, menos 649 face a Junho. No entanto, desde o início do ano existem mais 5.200 agregados familiares que entraram em incumprimento na habitação.
Microempresas são as mais afectadas
No total, existem 69.629 empresas com crédito malparado em Portugal, o que corresponde a 31,3% do total de empresas com crédito bancário, perto do máximo atingido em Junho em 31,4%. Também o rácio de crédito vencido atingiu novos recordes e situa-se agora em 14,7%. A história do incumprimento das empresas não difere muito do que acontece nas famílias. Apesar de existirem menos 416 empresas com crédito vencido face a Junho, desde o início do ano este número aumenta em 1.919 instituições. As microempresas (crédito até 20.000 euros) são as mais afectadas pela actual conjuntura e representam metade do total de empresas em incumprimento. Além disso, existiam em Setembro mais 259 microempresas com crédito malparado, uma tendência interrompida apenas por uma vez nos últimos 22 meses.
Fonte: Económico