Um corte de ‘rating’ por parte da DBRS bastaria para tornar inelegível toda a dívida portuguesa entregue pelos bancos ao BCE. Mas, para já, essa hipótese parece estar afastada.

Um ‘downgrade’ adicional do ‘rating’ da República Portuguesa parece estar, para já, afastado dos planos da agência canadiana DBRS. Um assunto que ganha uma importância acrescida a menos de dois meses do fim de programa de ajustamento, que ditará também o fim da suspensão do ‘rating’ mínimo aceite pelo Banco Central Europeu (BCE) para receber dívida pública portuguesa como colateral. Apenas um corte na notação de risco desta agência bastaria para tornar inelegível toda a dívida portuguesa que garante actualmente os mais de 46 mil milhões de euros que os bancos portugueses têm financiados junto do BCE.

Em declarações ao Diário Económico, Carla Clifton, analista da DBRS para Portugal e uma das vice-presidentes da divisão de ‘ratings’ soberanos, destaca a evolução favorável da economia nacional nos últimos meses: “O ‘outlook’ para a economia portuguesa melhorou substancialmente nos últimos meses”, diz. A DBRS tem um ‘rating’ de BBB Low para Portugal com ‘outlook’ negativo, revisto pela última vez em Dezembro. “Desde então

[Dezembro] a recuperação económica parece ter encontrado terreno mais firme e as perspectivas orçamentais parecem menos dominadas por riscos de ‘downside'”, nota Carla Clifton. Já quanto aos riscos de uma revisão em baixa do ‘rating’ do país, a responsável da agência canadiana avança que: “A DBRSacredita que as pressões para a revisão em baixa do ‘rating’ foram parcialmente eliminadas pelos desenvolvimentos positivos nas condições macroeconómicas e pelo aumento da competitividade externa”.

Perspectivas que parecem garantir o financiamentos dos bancos portugueses junto do BCE, que reviu recentemente o ‘rating’ mínimo elegível para aceitar dívida pública como colateral.

BCE garante que revisão de ‘rating’ mínimo não teve nada a ver com Portugal
A notação de ‘BBB Low’ só passou a ser aceite pelo BCE a partir de 1 de Abril de 2014. Até então o último ‘rating’ da DBRS aceite pelo BCE ficava um nível acima, em ‘BBB’, o que a manter-se excluiria toda a dívida portuguesa entregue como colateral. Em declarações ao Diário Económico, fonte oficial do BCE garante no entanto que esta decisão nada teve a ver com o caso português: “As motivações e razões para esta alteração são descorrelacionadas das considerações específicas para Portugal ou qualquer outro país”. A mesma fonte adianta que, embora o novo mapa de ‘ratings’ aceites pelo BCE só tenha entrado em vigor a 1 de Abril, a decisão já havia sido tomada em Novembro. Uma vez por ano, o BCE faz a reavaliação deste mapa tendo em conta a percentagem de ‘defaults’ ocorridos nos últimos 12 meses em cada notação de risco.

A última revisão terá sido portanto apenas uma feliz coincidência para a banca portuguesa, que garante assim a validade dos colaterais entregues junto do BCE.

 

Fonte: Económico

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